Você está preparado para ser cancelado?

Você está preparado para ser cancelado? Artigo de Daniel Aguado

Cancelar alguém ou uma marca nas redes sociais é o novo fenômeno que estamos vivenciando nesse período de isolamento social. Na verdade, a pandemia parece que acelerou esse processo de intolerância e dificuldade da sociedade em conviver com o contraditório. Afinal, é mais simples aceitar uma opinião divergente ou deletá-la do seu feed de notícias?

Antes de mais nada, vale ressaltar que o racismo, a intolerância religiosa, a LGBTQfobia, o sexismo e outros abusos sobre as comunidades mais vulneráveis, tem bem pouco ou nada a ver com expressar uma opinião. Todos esses casos são crimes e passíveis de punições, quando comprovados.

Partindo desse ponto, o ‘cancelamento digital’ é uma nova e poderosa arma nas mãos dos consumidores que, agora, além de abandonarem uma relação comercial com as marcas, ainda podem boicotá-las virtualmente, caso descordem de alguma ação promovida por determinada empresa. Em geral, os cancelamentos virtuais são bem coordenados e mobilizam milhares de pessoas nas redes sociais.

Desconsiderando os possíveis radicalismos ou os extremismos praticados nesses cancelamentos – vide o caso da Natura e o Thammy -, essa atitude coloca os profissionais de marketing e comunicação numa posição ainda mais estratégica em suas respectivas companhias. Afinal, nossa atuação passa por avaliar diferentes aspectos e impactos de uma determinada mensagem ou campanha publicitária, sempre considerando ser impossível agradar integralmente a todos os públicos. Por isso, temos que avaliar todas as oportunidades e os riscos que elas podem gerar. Será que compensará para a marca um posicionamento mais crítico sobre determinado tema? Caso sim, a sua marca está preparada para ser cancelada?

Goste ou não, o contexto atual é esse e temos que nos preparar para esse enfrentamento público. Ainda são poucos os casos de sucesso nesse quesito e, por hora, o grande volume de cancelamentos tem ocorrido entre as celebridades e formadores de opinião. Isso não reduz o alerta às marcas. Afinal, se de um dia para o outro o consumidor cancela o artista que tanto amava, avalie, o que ele pode fazer por sua marca num momento de descontentamento?

O tema cabe uma ampla reflexão aqui no Marcas pelo Mundo e, por hora, vou seguir completando a lista de marcas que estou considerando cancelar nas minhas redes sociais. Afinal, como consumidor, também tenho ficado bastante exausto com tantas mensagens infundadas ou pouco alinhadas às minhas expectativas. Será que eu também serei cancelado?

Por: Daniel Aguado – Diretor de Marketing do Poliedro Educação

LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/daniel-aguado-1b7b229/

 

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