A inteligência artificial deixou de ser apenas ferramenta de apoio e passou a ocupar o centro da estratégia de comunicação do Confea (Conselho Federal de Engenharia e Agronomia). A nova campanha institucional da entidade, intitulada “Tudo é engenharia: Você confia sem perceber”, chega ao mercado como um dos projetos mais robustos já desenvolvidos pelo conselho com uso integrado de IA em todas as fases da produção publicitária.
Criada pela agência DeBrito em parceria com a Cinematik Studios, a iniciativa reúne filmes para TV, spots de rádio, peças digitais e mídia OOH em uma operação que utilizou inteligência artificial do planejamento à pós-produção. A proposta vai além do uso pontual da tecnologia, prática comum em muitas campanhas recentes, e estrutura a IA como eixo operacional de todo o processo criativo.
A tecnologia foi aplicada desde a análise de audiência e definição de territórios narrativos até a adaptação de linguagem para diferentes plataformas. Na fase de criação, a IA participou da geração visual frame a frame, animações, composição de cenas, locução, tratamento de áudio e finalização das peças.
“A Cinematik acredita profundamente na inteligência artificial como ferramenta de criação. Mas acredita, antes de tudo, nas pessoas que a operam. Numa era em que a máquina pode gerar uma imagem, um som, um filme, o que garante que algo seja verdadeiro ainda é o olhar humano por trás dela”, afirma João Queiroz, diretor da Cinematik Studios à frente das criações audiovisuais da campanha.
Outro ponto central da produção foi a preocupação com ética, rastreabilidade e direitos de imagem. Segundo o Confea, todo o desenvolvimento foi acompanhado por protocolos de supervisão humana e controle da origem dos dados utilizados pela inteligência artificial.
Para construir o banco visual da campanha, foram selecionados 50 modelos com experiência em campanhas de grandes marcas brasileiras. A curadoria foi feita em parceria com a Mega Models, com foco em diversidade regional, etária e de perfis físicos.
“Como vanguardista do universo da moda, a Mega sempre teve um forte compromisso com a evolução do mercado, e a IA já é uma realidade no nosso negócio. A tecnologia não substitui a expertise humana; ela chega como uma importante aliada da produção criativa, abrindo uma nova frente de trabalho dentro da indústria”, pontua Michelle Ferreira, diretora da Mega Model Brasil.
Apesar de o resultado final não exibir os modelos diretamente em cena, todos participaram de sessões presenciais de captação conduzidas pela Cinematik Studios. O material serviu como base para o treinamento e desenvolvimento visual da campanha.
“Esse processo diferencia a campanha do uso mais comum de IA, frequentemente baseado em bancos de imagens ou prompts genéricos. Neste caso, todas as imagens têm origem documentada em pessoas reais, contratadas e com direitos plenamente resolvidos”, afirma Marcuce Luz, diretor executivo da DeBrito.
O modelo de produção adotado também permitiu acelerar a entrega de formatos simultâneos para diferentes meios, mantendo padrão broadcast e controle sobre direitos autorais e de imagem.
Para Marina Mattus, gerente de Comunicação do Confea, o projeto também reforça o papel da engenharia no avanço das novas tecnologias. “Essa campanha mostra que o setor público também pode acompanhar a evolução do mercado e das novas tecnologias de comunicação. E não existe inteligência artificial sem engenharia, porque todo avanço tecnológico nasce do conhecimento, da inovação e do trabalho dos profissionais das áreas tecnológicas. Mas, no fim, nenhuma ferramenta substitui talento, criatividade e sensibilidade humana. A tecnologia potencializa processos, mas são as pessoas que continuam movendo as grandes transformações”, destaca.
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