De Fit Up a Toda Up: a estratégia para ir além da fita e ocupar o guarda-roupa feminino

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Nascida no digital com produtos adesivos para os seios, marca catarinense amplia portfólio, chega em lojas físicas e busca acompanhar diferentes fases da vida das mulheres.

A história da Toda Up começou antes mesmo de esse nome existir. Fundada em Santa Catarina, em 2020, a empresa ficou conhecida como Fit Up e ganhou espaço no ambiente digital com uma proposta bastante específica: oferecer alternativas ao sutiã convencional por meio de produtos adesivos para os seios, principalmente fitas de sustentação e soluções de silicone.

Seis anos depois, a fita que ajudou a construir a marca continua no portfólio, mas passou a dividir espaço com sutiãs, tops, calcinhas e outros produtos. A mudança ganhou uma tradução mais visível em março de 2026, quando Fit Up passou a se chamar Toda Up.

Mais do que uma troca de identidade, o rebranding acompanha uma transformação do próprio negócio. A empresa quer deixar de ser reconhecida principalmente por uma solução específica para construir uma marca capaz de atender diferentes necessidades e momentos da vida feminina.

“Se a gente fosse colocar em uma pirâmide, falamos para mulheres como um todo, de todas as idades. Meu sonho é ter no portfólio o primeiro sutiã da mulher, o sutiã de amamentação, estar em todas as fases da mulher”, afirma Rayssa Siqueira, CEO da Toda Up.

Quando a fita abriu espaço para outras categorias

A ampliação do portfólio começou a ganhar força em 2024, com o lançamento do primeiro sutiã da marca. O Comfort Up foi desenvolvido sem aro e sem barbatanas, com uma estrutura mais próxima à de um top e alças mais largas para aumentar a sustentação. A aceitação do produto levou a empresa a desenvolver outras modelagens, entre elas Comfort Slim e Comfort Life.

Foi também nesse movimento que a Toda Up percebeu que poderia avançar para além do território ocupado pelos produtos adesivos. A entrada nos sutiãs não ampliou apenas o portfólio. Mudou também o perfil de quem chegava à marca.

Enquanto os produtos de silicone e as fitas encontram maior adesão entre consumidoras mais jovens, especialmente entre 18 e 30 anos, os sutiãs aproximaram a empresa de mulheres acima dos 35. Segundo Rayssa, houve ainda crescimento entre consumidoras com mais de 60 anos, impulsionado pela procura por opções de maior sustentação.

Essa diferença levou a empresa a organizar sua estratégia por personas e pela relação de cada perfil com determinados produtos. Em vez de partir da ideia de que uma única mensagem pode conversar com todas as mulheres, a comunicação muda conforme a categoria, a faixa etária e a necessidade que levou a consumidora até a marca.

Assim, uma jovem que procura um produto de silicone para usar com determinado look pode chegar à Toda Up por um caminho diferente daquele percorrido por uma mulher interessada em sustentação e conforto para o dia a dia.

Produto como motor de crescimento

Embora tenha construído boa parte de sua trajetória no digital, a Toda Up coloca o desenvolvimento de produto no centro da estratégia de expansão.

Rayssa participa diretamente desse processo ao lado da equipe da marca. O desenvolvimento é conduzido pela Toda Up, enquanto a fabricação acontece na China.

A busca por referências passa por pesquisas de mercado e viagens internacionais, entre os países estão China, Paris e Nova York. O ponto de partida nem sempre é uma peça pronta. Às vezes, a equipe identifica um tecido ou material considerado interessante e, a partir dele, procura desenvolver uma modelagem que faça sentido para o portfólio.

Depois vêm protótipos, ajustes e testes até a definição do produto que seguirá para fabricação. Segundo a CEO, os pedidos podem alcançar lotes de 30 mil, 40 mil ou 50 mil unidades, posteriormente estocadas no Brasil.

O portfólio chegou a aproximadamente 300 SKUs, embora boa parte desse volume venha das variações de cores e tamanhos, e não apenas da quantidade de modelos.

Conforto sozinho não basta

À medida que entrou em novas categorias, a Toda Up passou a trabalhar com outro princípio no desenvolvimento: não basta uma peça ser esteticamente atraente ou confortável; ela precisa responder a alguma necessidade de uso. “A nossa marca não pode ser só bonita, ela tem que trazer alguma funcionalidade como um todo para a mulher”, diz Rayssa.

Essa busca aparece, por exemplo, na linha Skin Up. Nas calcinhas, o forro combina fibra de celulose regenerada e grafeno. Segundo a Toda Up, a tecnologia, chamada GraphCare, tem propriedades antibacterianas e termorreguladoras, além de favorecer a secagem rápida. A marca afirma ainda que a estrutura do material ajuda a espalhar a umidade por uma área maior.

A preocupação surgiu de uma questão prática: para a Toda Up, uma calcinha sem costura não deveria apenas evitar marcas sob a roupa, mas também considerar o conforto durante o uso. O mesmo raciocínio aparece nos sutiãs, com a busca por construções que eliminem elementos tradicionalmente associados ao desconforto sem abandonar a sustentação.

Repensar o sutiã sem abandonar o clássico

Um dos movimentos mais recentes dessa estratégia foi o lançamento, em setembro, do Sutiã Clássico.

O modelo mantém o formato tradicional do sutiã, mas elimina o aro. A peça tem efeito push-up, bojo fixo e leve, com espuma que se molda ao corpo, alças reguláveis e fechamento posterior com três níveis de ajuste. O corte a laser e a construção sem costura foram adotados para reduzir as marcas sob a roupa.

A ideia é trabalhar sobre peças já incorporadas à rotina feminina e rever aspectos da experiência de uso. No caso do Sutiã Clássico, isso significa preservar características como sustentação e modelagem, mas diminuir estruturas rígidas.

“O sutiã sempre acompanhou as mudanças na forma como as mulheres se vestem, se movimentam e se relacionam com o próprio corpo. O Sutiã Clássico nasce olhando justamente para essa evolução: queremos manter a sustentação e o efeito que muitas consumidoras procuram, mas dentro de uma construção confortável, funcional e pensada para a rotina”, afirma Rayssa.

Do e-commerce para lojas físicas

Se a marca nasceu e ganhou escala pela internet, a distribuição física passou a ocupar uma fatia relevante do negócio.

Atualmente, cerca de 70% das vendas acontecem online. Os outros 30% vêm do varejo físico, frente que ganhou peso especialmente no último ano. A Toda Up já está presente em Renner e C&A e, segundo Rayssa, seus produtos chegam a mais de 1.300 lojas.

A presença física ganha uma função adicional em uma categoria na qual tecido, elasticidade, acabamento e sensação sobre a pele interferem na decisão de compra. Se no digital esses atributos precisam ser traduzidos por vídeos, fotos e demonstrações, a loja permite que a consumidora tenha contato direto com o produto.

Ainda assim, o e-commerce continua respondendo pela maior parcela das vendas e se conecta a uma das principais engrenagens de comunicação da empresa: os criadores de conteúdo.

Mais de 2 mil influenciadoras na estratégia

A aposta no marketing digital acompanha a Toda Up desde os primeiros anos. Hoje, a empresa afirma trabalhar com uma rede de mais de 2 mil influenciadoras em diferentes modelos de parceria.

Uma das frentes é o Squad Toda Up, programa que reúne quase mil criadoras em um modelo de afiliados. Elas recebem comissão sobre as vendas geradas a partir de seus cupons, o que permite à empresa acompanhar os resultados de cada parceria.

Paralelamente, a marca trabalha com publicidade contratada com criadoras de maior alcance, em projetos com escopo e remuneração definidos.

A combinação permite atuar em diferentes escalas. Nomes de maior audiência contribuem para ampliar alcance, enquanto uma base pulverizada de criadoras coloca os produtos em diferentes corpos, roupas, rotinas e situações de uso.

Essa estrutura também acompanha a segmentação por personas adotada pela empresa. No diálogo com consumidoras mais jovens, por exemplo, produtos adesivos e de silicone podem ganhar maior protagonismo. Para outros perfis, entram questões como sustentação, conforto e modelagens voltadas ao uso cotidiano.

O desafio de fazer Toda Up ocupar o espaço de Fit Up

A fita abriu a porta. Os sutiãs levaram a Toda Up para a rotina. As calcinhas acrescentaram outra categoria. O varejo físico ampliou os pontos de contato e uma rede de milhares de criadoras mantém a operação conectada ao ambiente em que a marca nasceu.

A transformação de Fit Up em Toda Up tenta costurar todas essas frentes sob uma identidade maior. Se antes a marca estava associada principalmente ao que usar no lugar do sutiã, agora procura construir espaço justamente dentro e além dessa categoria.

Leia outras notícias: https://marcaspelomundo.com.br/categorias/anunciantes/

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