will.i.am usa o Carnaval para explicar o valor da criatividade humana na era da IA

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A inteligência artificial pode criar músicas, imagens e vídeos. Mas consegue reproduzir o que significa estar no meio de uma experiência e realmente vivê-la? Para will.i.am, é justamente aí que a criatividade humana encontra um território difícil de ser substituído. E foi no Carnaval brasileiro que o artista encontrou um exemplo para explicar essa diferença.

Durante sua passagem pelo Brasil, will.i.am recebeu a jornalista Elisangela Peres, no Rio de Janeiro, para uma entrevista. Na conversa, o líder da banda Black Eyed Peas falou sobre inteligência artificial, criatividade, a maneira como enxerga a própria atuação entre diferentes indústrias e sua colaboração com a LG no desenvolvimento da linha de áudio xboom by will.i.am.

O que a inteligência artificial não consegue reproduzir

Em um momento em que a inteligência artificial avança sobre diferentes áreas da indústria criativa, will.i.am acredita que o valor da criatividade humana também depende da importância que as próprias pessoas atribuem ao que é feito por outras pessoas.

Para explicar seu raciocínio, ele recorreu ao Carnaval. Mais do que aquilo que pode ser registrado em uma fotografia ou em um vídeo, a festa reúne uma experiência que, para ele, depende de estar presente.

“Depende de quão boa é a criatividade humana e se nós, como sociedade, realmente valorizamos o que os seres humanos criam. Se colocarmos em tudo o que fazemos o mesmo foco e dedicação que colocamos no Carnaval, sim. Pense: a IA consegue reproduzir o Carnaval ao vivo? Não, não consegue. O Carnaval é algo que você precisa vivenciar. Apenas assistir aos vídeos não é a mesma coisa…Essa experiência é à prova de IA. A IA nunca vai conseguir reproduzi-la”, comenta will.i.am.

Ao desenvolver a comparação, will.i.am citou a música, os ensaios, as escolas de samba, as fantasias, a dança e os carros alegóricos. Elementos que podem ser vistos em uma tela, mas que, segundo ele, não reproduzem a experiência de participar daquele ambiente.

É nesse ponto que o artista aproxima o Carnaval da discussão sobre inteligência artificial. Para ele, existem experiências cujo valor não está apenas no resultado que pode ser visto ou ouvido, mas no que acontece quando alguém as vivencia.

Um sonhador que materializa ideias

Essa relação entre imaginar e realizar também aparece na maneira como will.i.am define a própria carreira. Questionado sobre se hoje se considera um músico que se tornou empresário ou um empresário que também faz música, ele não escolheu nenhum dos dois lados.

“Eu me vejo como um sonhador que transforma o sonho em realidade. Seja transformar uma música em realidade, uma roupa em realidade ou uma tecnologia em realidade. Eu gosto de ter ideias e materializar ideias.”

A resposta ajuda a entender uma carreira que há tempos ultrapassa a música. Para will.i.am, que é artista musical global, produtor, fundador de empresa de tecnologia, futurista e filantropo, diferentes campos criativos podem funcionar como caminhos para tirar uma ideia do plano da imaginação e torná-la concreta.

A tecnologia ocupa um espaço importante nesse movimento e também está na origem de sua colaboração com a LG.

Da música ao desenvolvimento de produtos

Na parceria com a LG, will.i.am não atua apenas como embaixador associado à imagem dos produtos. Segundo o artista, ele e sua equipe participam do trabalho relacionado ao som e também colaboram no design de alguns equipamentos.

A parceria está ligada à xboom by will.i.am, linha de áudio da LG que reúne diferentes formatos de caixa de som bluetooth. Durante a entrevista, ele citou modelos como xboom Bounce e xboom Grab e brincou ao chamar uma das caixas de “bazuca”.

“Minha equipe colabora com a LG para garantir que o som seja magnífico. Também colaboramos no design de alguns dos produtos. Eu adoro trabalhar com a LG. É uma empresa incrível. É uma honra ter uma linha de caixas de som com eles, a xboom by will.i.am. E isso é só o começo.”

As músicas que will.i.am guarda por razões diferentes

Entre tecnologia, inteligência artificial e criatividade, a conversa também abriu espaço para a música. Ao ouvir de Elisangela Peres que “I Gotta Feeling” era sua faixa favorita do Black Eyed Peas, will.i.am foi provocado a escolher a dele. A resposta veio com “Meet Me Halfway”, faixa do álbum The E.N.D. (The Energy Never Dies), de 2009.

Mais do que apontar uma favorita, o artista falou sobre a relação que mantém com cada música e sobre os diferentes processos criativos por trás delas. Enquanto “I Gotta Feeling” foi escrita rapidamente, “Meet Me Halfway” ficou marcada pela colaboração e pelo caminho percorrido até ganhar forma.

“Eu gosto de ‘Meet Me Halfway’. É uma música muito boa. Eu adoro ‘I Gotta Feeling’, mas a escrevi muito rápido. Com ‘Meet Me Halfway’, gostei da colaboração. Houve muitas pessoas com quem colaboramos nessa música. Então, quando a ouço, penso em todos os elementos, na jornada para materializá-la. ‘I Gotta Feeling’ levou menos de 30 minutos para ser escrita. Mas eu amo todos os meus filhos por razões diferentes.”

A resposta retoma uma ideia que aparece em outros momentos da conversa com will.i.am: o valor não está apenas no resultado, mas também no processo de transformar uma ideia em algo real.

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