Por muito tempo, a inteligência artificial foi tratada dentro das empresas como uma novidade: testava-se possibilidades, automatizavam-se pequenas tarefas, acelerava-se a produção de conteúdo. Esse período de experimentação foi importante, mas o Marketing já entrou em uma nova fase.
A discussão deixou de ser sobre quais ferramentas usar e passou a ser: de que forma a IA pode apoiar decisões melhores? Esse é, na minha visão, o avanço mais relevante que a tecnologia trouxe. Ela deixou de atuar apenas na execução e passou a ocupar espaço no planejamento e na estratégia.
Hoje no nosso time, por exemplo, o uso da IA começa antes mesmo da criação de uma campanha: apoia a elaboração de planos de mídia, a análise dos canais mais adequados para cada objetivo, o estudo do comportamento do público, a leitura de movimentos da concorrência e o levantamento de dados sobre o crescimento de determinados segmentos. Atividades que antes dependiam de levantamentos manuais ganham velocidade — e isso libera tempo para a equipe analisar cenários e discutir caminhos, não apenas reunir informação.
Esse é o ponto central: a IA amplia a capacidade de análise, não porque substitui o conhecimento das pessoas, mas porque organiza informações que levariam muito mais tempo para serem encontradas e comparadas. Mas isso traz riscos.
A velocidade com que a IA entrega uma análise pode criar a falsa impressão de que tudo o que ela apresenta já está correto ou pronto para uso. Uma ferramenta pode interpretar um cenário de forma incompleta, usar referências pouco confiáveis ou chegar a uma conclusão que ignora a realidade específica da empresa.
Por isso, nenhuma análise gerada por IA é tratada como resposta definitiva. Ela é apoio, não decisão. Toda informação precisa ser confrontada com dados internos, histórico da empresa e experiência dos profissionais envolvidos, e submetida a perguntas simples: a análise faz sentido? Considera o comportamento real do nosso público? Está alinhada aos objetivos da empresa? Falta alguma informação relevante? É esse processo de validação que transforma uma resposta de ferramenta em material útil para a estratégia.
O erro mais silencioso: usar a IA só para confirmar o que já se pensava
Há um risco menos óbvio, mas igualmente importante: usar a tecnologia apenas para validar uma ideia já definida, buscando somente informações que reforcem uma conclusão anterior. Por isso, também usamos a IA para o contrário: apresentar possibilidades alternativas, questionar hipóteses e identificar pontos que não haviam sido considerados no planejamento inicial. Ela deve ampliar a discussão, nunca encerrá-la.
Essa é, para mim, a diferença entre simplesmente usar uma ferramenta e integrar a inteligência artificial de forma estratégica ao Marketing. A tecnologia não substitui o raciocínio — ela deve melhorar sua qualidade. Usada com critério, a IA permite analisar mais informações, identificar oportunidades com mais velocidade e construir planejamentos com uma visão mais atual do mercado. Mas continua sendo responsabilidade dos profissionais entender o negócio, avaliar riscos e decidir o caminho.
A inteligência artificial apresenta possibilidades. A estratégia continua sendo construída por pessoas.
Por: Antônio Muniz, head de marketing da Evoy Consórcios