Jogadores brasileiros de rugby contam como inglês ajuda a superar barreiras no esporte

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O rugby, ou rúgbi, um esporte de origem britânica que vem se popularizando no país nos últimos ano, que é injustamente confundido por aqui com o futebol americano por conta do formato oval da bola utilizada nos jogos e do uso constante das mãos para realizar jogadas, é uma modalidade esportiva com mais de 150 anos de história que, além de exigir condicionamento físico de seus jogadores, cobra também um bom domínio da língua inglesa.

Isso porque, mais do que aprender e compreender o vocabulário rugbieriano usado para se comunicar durante uma partida, a fluência no inglês também ajuda os atletas a conversar com adversários e equipes de arbitragem em torneios internacionais, trocar experiências com jogadores de fora do país, além de abrir a possibilidade de trilhar uma carreira internacional e jogar para times de outras nações com tradição no esporte.

Diante dessa realidade, o jogador pela Seleção Brasileira de Rugby Kauã Guimarães, 23, engrenou seu estudos na segunda língua com uma bolsa integral concedida pela rede de escolas de inglês Cultura Inglesa, graças à parceria firmada pela instituição com a Confederação Brasileira de Rugby (CBRu), que reúne as inúmeras agremiações e atletas federados do esporte no Brasil. Kauã explica que, por conta das aulas práticas, que simulam situações da vida cotidiana, perdeu a timidez na hora de se expressar em campo. “Quando participamos de campeonatos no exterior, a única forma que temos de nos comunicar com o juiz e os adversários é por meio do inglês. Mesmo sem ser fluente no idioma, os estudos me deram confiança e segurança para conversar durante um jogo”, conta.

Já a atleta pela seleção feminina de rugby e ex-aluna bolsista da Cultura Inglesa Aline Furtado, 26, afirma que o aprendizado do inglês, além de contribuir para seu desenvolvimento profissional, deu acesso a informações privilegiadas do esporte. “Passei a conversar com atletas que jogam para seleções que têm forte destaque internacional, e, dessa forma, pedi dicas de treinamento, de organização de um sistema tático, entre outras questões relativas ao esporte. Então, mais do que fortalecer a interação social, o inglês também permite colher informações estratégicas para fazer o rugby crescer no nosso país”, diz.

A esportista lembra que, no rugby, os árbitros só falam inglês e, pelas regras do jogo, somente a capitã do time pode falar com essas autoridades. “Nos últimos torneios, eu fui vice-capitã e, em breve, devo me tornar capitã. Então falar inglês é uma condição indispensável para ocupar essa posição. Além disso, a capitã é quem mais responde entrevistas pelo time. Quem não fala inglês basicamente não conversa com a imprensa internacional”, explica.

O aprendizado da língua inglesa também traz conquistas pessoais para os jogadores. A jogadora Claudia Jaqueline Telles, 30, que entrou no rugby por meio de um projeto social de atletismo no Recife (CE) e atualmente joga para o Niterói Rugby Club e na Seleção Brasileira, afirma que, com seu inglês afinado, criou laços de amizade com atletas que moram em outros países. “Quando você viaja para disputar campeonatos, acaba se relacionando afetivamente com gente de todos os cantos do mundo. De volta ao Brasil, você continua trocando contatos nas redes sociais. Então, quando saio de férias, posso visitar essas pessoas e aprofundar minhas relações”, diz.

Mas nem sempre foi assim. Claudia conta que, antes de obter sua bolsa de estudos na Cultura Inglesa, passou perrengues por conta do seu péssimo desempenho com o idioma em campo. “Em 2014, quando comecei a jogar profissionalmente, meu técnico na época era neozelandês e eu não entendia quase nada do que ele dizia. Eu me virava porque consultava outros jogadores que faziam o papel de ‘tradutores’ para mim. Então foi só quando aprendi o inglês que passei a me comunicar sem precisar de intermediários”, conclui.

 

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