E se o golpe não parecer um golpe? Com vídeos, vozes, mensagens e perfis cada vez mais convincentes, reconhecer uma fraude financeira deixou de depender apenas daqueles sinais que tradicionalmente despertavam suspeita. É a partir dessa mudança de comportamento que a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) constrói sua nova campanha de prevenção, protagonizada por Rafael Portugal.
Criada pela iD\TBWA, a comunicação evolui a plataforma “Pare e Pense”, utilizada anteriormente pela entidade, e acrescenta uma terceira atitude ao alerta: “Pare, Pense e Desconfie”.
A ideia é estimular o consumidor a interromper uma ação e verificar sua legitimidade mesmo quando aparentemente não há nada de errado. O cuidado vale antes de compartilhar informações pessoais, realizar um Pix, atender a uma solicitação ou confirmar uma transferência.
Rafael Portugal entra na “Central da Consciência”
Para transformar o alerta em entretenimento, a campanha criou a “Central da Consciência”, uma representação bem-humorada daquele diálogo interno que pode surgir diante de uma situação potencialmente fraudulenta.
Rafael Portugal assume o papel de quem tenta interromper o automatismo das decisões em momentos nos quais urgência e emoção podem falar mais alto do que a checagem racional. A proposta é criar uma pausa entre receber uma solicitação e agir.
A mudança também acompanha a evolução da própria plataforma de comunicação. Se “Pare e Pense” buscava provocar reflexão quando havia sinais de algo suspeito, a nova fase acrescenta a desconfiança justamente para situações que parecem verdadeiras.
“Quando desenvolvemos a campanha ‘Pare e Pense’ com a Febraban, o desafio era fazer as pessoas interromperem uma decisão diante de sinais suspeitos. Hoje, a tecnologia tornou esses sinais muito menos evidentes. Retomar essa plataforma agora, reforçada pelo ‘Desconfie’ significa fazer exatamente o que uma ideia estratégica precisa fazer: evoluir junto com o comportamento e com o problema que ela se propõe a enfrentar. Mas informação só protege se alguém prestar atenção nela. É aí que entra o papel da criatividade e a relevância do Rafael Portugal, que transforma um assunto árido em algo que as pessoas se engajam em assistir e que gera lembrança no momento necessário”, afirma Camila Costa, CEO da iD\TBWA.
Campanha vai da TV à novela vertical
A estratégia foi pensada para circular por diferentes formatos e plataformas. Além de filmes para TV e vídeo online, a campanha terá conteúdos para redes sociais, mídia OOH digital e uma série de vídeos educativos sobre proteção contra golpes.
Entre os desdobramentos está um Reels interativo no qual o público precisa escolher entre “dar a senha” ou “parar, pensar e desconfiar”. A partir da decisão, o conteúdo mostra na tela as consequências de cada caminho.
A campanha também aposta em uma novela vertical para plataformas como o Kwai, formato em ascensão entre o público jovem.
A presença será nacional, com reforço de mídia nos mercados com maior incidência de golpes. O investimento será dividido de forma praticamente equilibrada entre digital e offline, com a segunda frente incluindo TV aberta, TV por assinatura e OOH.
Toda a estratégia converge para tentar alcançar o consumidor antes da tomada de decisão, sintetizada pela campanha na ideia de chegar “no momento certo, com a mensagem certa, antes da decisão errada”.
“O desafio era materializar o conceito “Pare, pense e desconfie” em uma ação que as pessoas se identificassem. A Central da Consciência materializa esse conflito interno de um jeito bem humorado e popular, criando uma pausa antes que a pessoa aja no automático no momento de pressão”, reforça Guga Diehl, diretor de criação da iD\TBWA.
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