Internacional – Marco Milesi, da Grey Latam: Criatividade é a capacidade de solucionar um problema

Elisangela Peres entrevista Marco Milesi, CEO da Grey Latam
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O Marcas pelo Mundo conversou com Marco Milesi, que desde o início do ano de 2019 ocupa o cargo de CEO da agência Grey para América Latina.

Marco tem mais de 30 anos de carreira, já atuou em diversos países e, atualmente, mora no México, onde também é CEO da agência Grey mexicana.

Acompanhe:

 

Entrevista:

O que vocês estão fazendo para ajudar os clientes na pandemia, este período de tantas incertezas?

Com todo respeito pelas pessoas que sofreram, pelas famílias que tiveram mortes, pelas pessoas que tiveram danos físicos e pelas pessoas que tiveram danos econômicos causados pela pandemia, eu acho que é um período de oportunidades. Claramente, essa situação acelerou de uma maneira desproporcional a transformação digital que o mundo e, no nosso caso, a América Latina, estavam atravessando de uma maneira boa, de uma maneira de médio a longo prazo.

A coisa acelerou e as palavras médio e longo prazo desapareceram. Essa é uma oportunidade que as indústrias, os consumidores, as agências, as sociedades e os países têm.

Ao contrário do que algumas pessoas dizem, que nessa situação revelamos nosso pior lado, eu acho que também revelamos o nosso melhor, o melhor lado das pessoas, porque as crises demonstram que criamos uma situação de flexibilidade, de adaptação.

Eu posso dizer que, para alguns setores, há mais comunicação agora do que antes da pandemia.

Por mais raro que isso possa aparecer, eu acho que isso é normal, porque em uma situação de crise as pessoas se unem e compartilham mais. Eu chamo isso de colaboração radical.

Qual é o papel da criatividade diante do cenário de pandemia?

Eu defino a criatividade como a capacidade de solucionar um problema, portanto, eu creio que maiores problemas demandam uma maior necessidade da criatividade. É uma relação de proporcionalidade direta.

Você assumiu o cargo de CEO da Grey América Latina no começo do ano passado.  Me conte sobre este período e comente se seus planos foram alterados devido a pandemia?

Tivemos que fazer umas mudanças importantes. O Brasil é um dos países onde, por diversas razões, fomos forçados a fazer uma mudança importante, na qual estamos muito contentes, porque acreditamos que Luciana Rodrigues e Max Geraldo são uma dupla jovem, mas esperta, tremendamente determinada e com muitíssima capacidade de transformar uma organização.

Fizemos mudanças, também, no Peru e grandes mudanças no México. Todas essas mudanças estão dando resultados.

Também tivemos a consolidação de nossa agência na Argentina, que está dando resultados extraordinários.

Colômbia e Equador estão dando bons resultados. Uruguai e Chile são países menores, mas estão funcionando bem.

Quando você me pergunta: mudaram os planos? Sim e Não. Por que mudaram? Porque tivemos que rapidamente intervir nas situações. Tivemos que recorrer ao melhor de nós para enfrentar a situação. E o nosso melhor é a capacidade de analisar um problema e encontrar uma solução.

Portanto, nosso posicionamento, nossa essência, nossa razão de ser, se confirmou válida e vamos fortalecer isso, e não mudar nossa direção.

O que você espera da Grey Brasil?

Eu espero que a Grey Brasil consolide seu posicionamento de “Network Boutique Agency”.  O que eu quero dizer com isso? Uma agência que pertence a uma rede global, que tem músculos globais e, ao mesmo tempo, o tamanho, a visão, a atitude com os clientes, são de uma boutique. Uma boutique está mais preocupada com os negócios do cliente, que está mais perto dos negócios do cliente, tem mais tempo e qualidade de tempo para trabalhar nos negócios dos clientes, e pode ter uma alta estratégia criativa, com nível mundial.

Na sua opinião, quais são as principais oportunidades para o mercado latino?

Eu acho que o mercado latino pode consolidar a posição que tem no mercado mundial de uma combinação de alto talento com custos que são mais acessíveis.

Nós podemos trabalhar, em uma parte do nosso tempo, para os mercados norte-americanos e europeus, e isso é uma situação de ganha-ganha, tanto para os mercados mais desenvolvidos, quanto para os em desenvolvimento, que estão se firmando no cenário mundial como uma potência criativa.

Como você vê o mercado publicitário pós-pandemia?

O mundo pós-pandemia será diferente.  Vai haver uma transformação nos escritórios físicos, que já estamos vendo. Isso vai comportar uma situação de maior equilíbrio das pessoas.

Uma das limitações que as agências sempre tiveram e as empresas também, é estarem em suas “redomas de vidro”, sem olhar a realidade mundo afora, sempre tendo uma visão muito parcial, quando não se convive com a diversidade.

Eu acho que passar tempo fora da agência pode ser tão eficaz para fora e para dentro da agência.

Eu acho que a transformação digital oferecerá oportunidade de conectar com os consumidores de uma maneira mais frequente e eficaz, tanto no virtual quanto no físico, real.

Portanto, creio que haverá dois mundos, o real e o virtual, que se convergem. Creio que a consciência, conhecimento e habilidade de cada organização devem estar alinhados para entender isso e adaptar a essa mudança.

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