O Brasil garantiu dois trabalhos na shortlist de Glass Lions 2026, uma das categorias mais simbólicas do Cannes Lions quando o assunto é criatividade aplicada à transformação social. A lista de finalistas foi divulgada nesta quinta-feira (11) e reúne 17 projetos de diferentes mercados.
Criada para reconhecer campanhas que desafiam desigualdades e promovem mudanças culturais por meio da comunicação, a competição passou por uma ampliação recente. Antes concentrada em iniciativas ligadas à equidade de gênero, a categoria passou a contemplar também projetos relacionados a raça, deficiência, orientação sexual e inclusão social.
Entre os representantes brasileiros estão dois trabalhos que abordam questões raciais sob perspectivas distintas.
Um deles é “Nigrum Corpus”, desenvolvido pela Artplan para a Idomed e o Instituto Yduqs. O projeto já havia se destacado na edição anterior do festival, quando conquistou o Grand Prix de Industry Craft e se tornou uma das campanhas brasileiras mais premiadas de 2025.
A iniciativa faz parte de um movimento das instituições para discutir o racismo estrutural presente na formação e na prática médica. Para isso, o projeto utilizou a linguagem científica e criou nomenclaturas em latim para descrever comportamentos discriminatórios enfrentados por pacientes negros, transformando diferentes manifestações de racismo em uma espécie de compêndio que dialoga com o universo da medicina.
O segundo finalista é “Código de Defesa e Inclusão do Consumidor Negro”, criado pela Beta Collective para a L’Oréal Luxe. O trabalho foi desenvolvido em parceria com o Movimento pela Equidade Racial (Mover) e a organização Black Sisters in Law.
O documento reúne dez propostas voltadas ao enfrentamento de práticas discriminatórias — explícitas ou sutis — presentes no mercado de luxo, buscando estabelecer diretrizes para uma relação mais inclusiva entre marcas e consumidores negros.
Produções brasileiras também aparecem em campanhas internacionais
Além dos dois cases nacionais, empresas brasileiras participam de projetos internacionais que chegaram à shortlist.
É o caso de “No Frame Missed”, criado pela TBWA\Media Arts Lab, de Los Angeles, para o iPhone da Apple. O trabalho recebeu duas indicações em Glass e contou com produção da O2 Filmes e da Satelite Audio, além de pós-produção da Psychonlook, de São Paulo.
Outro destaque é “Supernova Adaptive”, desenvolvido pela TBWA\Canada para Adidas. O projeto aparece entre os finalistas tanto de Glass quanto de Innovation e tem participação do estúdio curitibano Bogotá em sua ficha técnica.
Titanium e Innovation ficam sem representantes do Brasil
Enquanto Glass trouxe dois finalistas brasileiros, as categorias Titanium e Innovation não tiveram trabalhos do país entre os selecionados deste ano.
O resultado contrasta com edições recentes do festival. Em 2025, por exemplo, o Brasil conquistou um Titanium Lion com “Pedigree Caramelo”, criado pela AlmapBBDO para Pedigree. No ano anterior, o mercado brasileiro acumulou oito finalistas somando Glass, Titanium e Innovation.
Os vencedores serão revelados ao longo do festival, que acontece entre os dias 22 e 26 de junho, em Cannes, na França.
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