Vestir a camisa, por Daniel Aguado

Neste artigo, Daniel Aguado comenta sobre o termo "vestir a camisa", alinhamento e orgulho em fazer parte de um grupo de profissionais.
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Muito utilizada pelos torcedores mais acalorados, ao longo dos anos, a expressão “vestir a camisa” migrou do mundo dos esportes para os ambientes corporativos, como uma referência àquele colaborador engajado com os objetivos da empresa na qual trabalha. Uma demonstração de alinhamento pleno e, acima de tudo, orgulho em fazer parte daquele seleto grupo de profissionais.

Nada demais, considerando ser um certo privilégio trabalhar com aquilo que gostamos e, ainda, ser remunerado para isso. O problema começa quando o significado de “vestir a camisa” passa a ser anular a individualidade dos colaboradores e as suas escolhas pessoais, incluindo aquilo que consumem ou os conteúdos que postam nas suas respectivas redes sociais.

É importante destacar que um trabalho eficiente de gestão de pessoas e de endomarketing ou employer branding (nomenclatura do momento) são essenciais para a construção de um bom ambiente organizacional e, seguramente, apoiam de maneira bastante efetiva no cumprimento dos objetivos estratégicos dos negócios. Pessoalmente, sou um grande incentivador dessas disciplinas e, para os que ainda não sabem, iniciei a minha carreira na área de Recursos Humanos da extinta Redecard (Hoje, Rede).

Por outro lado, sou muito crítico com algumas solicitações – diretas ou indiretas – que algumas empresas andam fazendo a seus colaboradores sob o pretexto de engajá-los com a marca ou de “vestir a camisa”. Os exemplos são números e andam cada vez mais inadequados. Desde o colaborador da extinta PSA, que não podia utilizar o estacionamento corporativo se estivesse usando um carro das marcas concorrentes; passando pelos colaboradores da AMBEV, que evitam serem vistos consumindo Coca-Cola ou, ainda, a recente “onda laranja” do banco Itaú no LinkedIn, que convocou os seus colaboradores a postarem conteúdos da marca nas redes sociais pessoais.

Sem romantizar demais, acho incrível que muitas empresas busquem oferecer a seus colaboradores ambientes de trabalho mais humanos e acolhedores, mas isso não pode, de maneira alguma, ferir a personalidade de cada indivíduo. Afinal, as habilidades e as potencialidades de um profissional não podem ser medidas por quantos posts ele faz sobre a empresa aonde trabalha. Isso já tem nome e, no mundo do marketing, se chama “post patrocinado”.

Por Daniel Aguado | www.danielaguado.com.br

LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/daniel-aguado-1b7b229/

 

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