Quando o caos vira linguagem: o novo humor das redes

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Você provavelmente já rolou por esse tipo de conteúdo. Um cachorro com expressão dramática enquanto toca uma música épica. Um gato imóvel olhando para o nada. Vídeos com cortes rápidos, áudios distorcidos, frases desconexas e referências que parecem não levar a lugar nenhum. Memes como o “67”, que só fazem sentido para quem já está dentro daquele repertório.

À primeira vista, tudo parece sem lógica. Mas funciona. E funciona porque revela mais sobre o momento atual do que parece.

Tratar isso apenas como uma tendência criativa é simplificar demais. O humor absurdo nasce de um contexto de saturação. Nunca se produziu tanto conteúdo, nunca tantas marcas disputaram atenção ao mesmo tempo e, com a IA, esse volume só aumenta. O resultado não é apenas cansaço, mas uma fadiga constante de termos que interpretar tudo que vemos.

Nesse cenário, o não sentido ganha valor. Ele não exige esforço, não conduz narrativa, não tenta convencer. Apenas interrompe aquele fluxo previsível de conteúdos que querem ensinar, vender ou parecer relevantes. Funciona como alívio em um ambiente que exige atenção o tempo todo. Além disso, cria um código de pertencimento. Quem entende a piada faz parte. Quem não entende, não. E isso reforça ainda mais seu valor cultural.

Para as marcas, o ponto central não está no formato, mas no comportamento que ele revela. O consumidor não quer necessariamente menos profundidade. Ele está rejeitando o que é previsível, polido demais ou superficial que se disfarça de relevante. Estética perfeita e narrativa controlada perderam força justamente porque se tornaram replicáveis.

E infelizmente a reação mais comum das marcas é tentar copiar. Mas humor absurdo não é uma ferramenta neutra. Ele depende de repertório, contexto e timing. Quando usado sem isso, soa forçado e prejudica a percepção de marca.

O desafio não é entrar no caos, mas entender qual papel a marca deve ocupar nele. Algumas conseguem operar dentro dessa linguagem. Outras podem interpretar o fenômeno para construir posicionamento. E muitas terão mais valor sendo o contraponto, oferecendo clareza e consistência em um ambiente cheio de ruído. Esse movimento não indica que o consumidor quer menos conteúdo relevante. Indica que ele não tolera mais conteúdo raso.

No fim, o humor absurdo funciona como um termômetro. Mostra um público saturado e um ambiente em excesso. A diferença agora está em entender o contexto, não em copiar a forma. Porque relevância não nasce da linguagem do momento, mas da leitura correta do comportamento que a sustenta.

Por: Maicon Dias, especialista em marketing, neurociência e CEO da Gampi Casa Criativa.

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