O que o Brasil já pode ensinar ao mundo sobre Retail Media

Mônica Fukumoto. O que o Brasil já pode ensinar ao mundo sobre Retail Media
LinkedIn
X
Facebook
Threads
WhatsApp

Durante décadas, a principal referência para o marketing digital brasileiro vinha dos Estados Unidos, mais especificamente do Vale do Silício. As grandes transformações tecnológicas que moldaram a publicidade e o comércio eletrônico surgiam primeiro lá e, algum tempo depois, eram adaptadas à realidade brasileira.

No entanto, quando olhamos para o ecossistema de Retail Media, essa dinâmica começa a se inverter. O Brasil desenvolveu um modelo de maturidade híbrida que hoje desponta como uma das referências globais de eficiência na integração entre mídia, dados e venda. Percebo um potencial gigante para o país se tornar essa referência. Mas sabemos que ainda existem muitos passos para evolução  – justamente pela predominância de varejos tradicionais e físicos, que herdam essas características e que precisam de um espaço/tempo de adaptação.

Nos Estados Unidos, onde o mercado digital é extremamente consolidado, o Retail Media cresceu de forma majoritariamente “digital-first”, com foco quase exclusivo no e-commerce. Casos de sucesso como Amazon e Walmart (por meio de sua operação de mídia, o Walmart Connect) ajudaram a consolidar a ideia de que o varejo conectado se resume ao clique.

Esse modelo trouxe ganhos relevantes de escala e sofisticação na publicidade digital. Estamos vivendo uma realidade em que a jornada se mistura, não existem mais fronteiras entre o on e offline. No entanto, temos um desafio importante: compreender o que acontece depois da exposição ao anúncio. Em muitos casos, as empresas sabem o que o usuário fez no navegador, mas têm menos visibilidade sobre o que acontece quando ele cruza a porta de uma loja física.

A realidade do varejo brasileiro seguiu um caminho diferente. Aqui, a integração entre o físico e o digital não foi apenas uma estratégia de inovação, mas uma resposta natural às características do mercado e do comportamento do consumidor. A chamada jornada “figital” não é apenas um conceito de marketing — ela é, na prática, um comportamento consolidado por parte do shopper.  No entanto, a atuação do varejo nem tanto – ainda existe uma corrida para justamente atender a essa demanda. E a forma com que a Impulso hoje mede resultado, por exemplo, é disruptiva e um diferencial.

Nesse contexto, as empresas que compreenderam cedo que o maior ativo do Retail Media não é apenas o tráfego digital, mas também a capilaridade das lojas físicas e a profundidade das informações primárias — o chamado First-party data — passaram a operar com uma vantagem competitiva relevante.

Enquanto as grandes plataformas digitais buscam novas formas de reconstruir a capacidade de segmentação, o varejo possui um diferencial importante: a possibilidade de capturar dados diretamente na relação com o consumidor.

Quando um cliente se identifica no ponto de venda para acessar um benefício ou utilizar um programa de fidelidade, por exemplo, ele conecta sua jornada digital ao momento da compra física. Esse processo cria uma base de informação verificável e permite avançar para um modelo de mensuração mais robusto.

No varejo, especialmente em setores com forte presença física, o Retail Media permite avançar para uma lógica de mensuração ponta a ponta, baseada no conceito de Closed-loop measurement. Isso significa que é possível conectar diretamente a exposição a uma campanha com a venda efetiva de um produto, identificando a unidade da loja, a data da transação e até mesmo o SKU específico adquirido – e essa exposição pode ter acontecido online, com a compra na loja física, ou pode ter sido impactado na loja física, mas comprado no online.

Esse nível de visibilidade transforma a forma como as marcas avaliam suas campanhas. Em vez de depender exclusivamente de métricas de engajamento ou cliques, torna-se possível trabalhar com indicadores diretamente ligados ao desempenho do negócio.

É justamente nessa capacidade de orquestrar o on-line e o off-line como partes de uma mesma jornada que reside um dos diferenciais do Retail Media brasileiro. Enquanto muitos mercados ainda buscam maneiras de digitalizar a experiência física, o varejo nacional avançou no uso de CRM e dados próprios para conectar esses dois universos de forma mais fluida.

O resultado é um ecossistema no qual mídia, dados e operação comercial passam a trabalhar de forma integrada. O Retail Media norte-americano pode se destacar pela escala de investimento e pela maturidade das plataformas digitais. O brasileiro, por sua vez, tem avançado pela profundidade da conexão entre exposição publicitária e venda real.

No final do dia, é exatamente isso que os anunciantes procuram: não apenas alcance ou visibilidade, mas a capacidade de compreender com clareza como cada investimento em mídia, aliado a estratégia comercial, pricing, posicionamento do produto e distribuição de estoque, contribuiu efetivamente para mover o ponteiro das vendas.

Por Mônica Fukumoto, Head de Dados & Insights da Impulso

LinkedIn
X
Facebook
Threads
WhatsApp
Magalu aproveita viral de Fiuk para divulgar programa de afiliados

Magalu aproveita viral de Fiuk para divulgar programa de afiliados

Depois de repercutir nas redes sociais ao anunciar a venda de itens de sua coleção pessoal e brincar que estava procurando uma “vaga de vendedor”, Fiuk agora tem uma loja virtual no Magalu. A marca aproveitou a conversa em torno do artista para divulgar o Influenciador Magalu, seu programa de

C6 Bank estreia campanha multiplataforma com Ingrid Guimarães e Mônica Martelli para divulgar o C6 Carbon

Ingrid Guimarães e Mônica Martelli estrelam campanha do C6 Carbon

Ingrid Guimarães e Mônica Martelli levam seu humor e sintonia para a nova campanha do C6 Bank dedicada ao C6 Carbon, cartão premium da instituição financeira. Criado pela Tech & Soul, o filme coloca as atrizes em um camarim, em uma conversa que remete aos bastidores de uma gravação. A

Faber-Castell quer devolver as cores a um mundo cada vez mais cinza

Faber-Castell quer devolver as cores a um mundo cada vez mais cinza

A Faber-Castell quer trazer mais cor a um cotidiano cada vez mais marcado por tons neutros. Com a plataforma “Colorindo o Mundo de Novo com Faber-Castell”, a marca reforça sua relação histórica com as cores e propõe um resgate da criatividade, inclusive na vida adulta. A iniciativa se apoia em

Mallory reposiciona marca para ir além dos eletroportáteis

Mallory reposiciona marca para ir além dos eletroportáteis

A Mallory passa a adotar o posicionamento “Mallory, presente no seu dia a dia”, em uma mudança que coloca os momentos da rotina dos consumidores no centro da comunicação. A estratégia busca conectar as diferentes categorias do portfólio sob uma mesma narrativa. Fundada em 1974, a fabricante brasileira de eletroportáteis

Unimed fala sobre o medo de mudar em campanha criada pela DPZ

Unimed fala sobre o medo de mudar em campanha criada pela DPZ

A Unimed parte dos momentos em que mudanças despertam coragem e insegurança para construir sua nova campanha institucional. Criada pela DPZ, a comunicação trabalha o conceito “O que nos une é cuidar” e trata o cuidado como um elemento de confiança diante de decisões e transformações da vida. A iniciativa

AXIA explora a energia das emoções no Rock in Rio 2026

AXIA explora a energia das emoções no Rock in Rio 2026

A AXIA Energia escolheu o contraste entre aquilo que pode ser medido e o que só pode ser sentido para construir sua comunicação no Rock in Rio Brasil 2026. Energia Oficial e Parceira de Sustentabilidade do festival, a companhia chega ao evento com o conceito “Energia além dos megawatts”, criado

Acelerado por ecommerce.CAMP/portais Portais de alta performance com IA que aprendem a cada visita,
indexados e otimizados para SEO, GEO e LLMs, em piloto automático.