O Dia Internacional da Mulher sempre me leva a refletir sobre responsabilidade. No ambiente corporativo, responsabilidade não é discurso, é diretriz estratégica. Cuidar de pessoas não é uma virtude acessória, mas uma decisão de gestão com impacto direto na sustentabilidade e na perenidade do negócio.
Ao longo da minha trajetória na área jurídica, acompanhei a evolução do debate sobre confiança organizacional. O tema deixou de ser periférico e passou a ocupar a agenda de liderança. Trabalhadores precisam se sentir seguros para apresentar ideias, discordar de decisões e relatar situações inadequadas sem receio de exposição ou retaliação. Quando esse contexto não existe, instala-se o silêncio. E o silêncio, no mundo corporativo, representa vulnerabilidade.
Dados recentes reforçam essa preocupação. O Safety and Health at Work Report (2025) apontou que 65% dos trabalhadores entrevistados afirmam que a proteção emocional é frequentemente negligenciada nas empresas, impactando diretamente saúde, bem-estar e percepção de exposição institucional.
Estudos divulgados em 2025 também indicam que equipes que atuam em contextos de confiança e abertura apresentam melhor desempenho e maior engajamento, com correlação de até 25% de aumento na produtividade quando práticas estruturadas são adotadas. O tema, portanto, não é apenas humano, é econômico.
A área jurídica desempenha papel central nessa transformação. Não se trata exclusivamente de mitigar passivos, mas de estruturar políticas internas, diretrizes éticas, canais de denúncia eficazes e procedimentos investigativos conduzidos com técnica, imparcialidade e previsibilidade. Nesse cenário, governança significa execução consistente e cultura aplicada.
A presença feminina em posições estratégicas, especialmente no jurídico, agrega densidade às decisões e contribui para uma cultura corporativa mais consciente dos impactos institucionais de cada escolha. Diversidade não é retórica. É fator de qualidade decisória. Contextos plurais analisam conflitos com maior amplitude e constroem soluções mais sustentáveis.
Outro ponto relevante é a evolução regulatória no Brasil. Em maio de 2025, as empresas passaram a ter a obrigação de avaliar riscos psicossociais como parte da gestão de segurança e saúde no trabalho, incluindo fatores como estresse e assédio. A mensagem é clara: o cuidado com a integridade emocional deixou de ser diferencial competitivo e passou a ser requisito de conformidade.
Em comemoração a pós data do Dia Internacional da Mulher, a reflexão vai além da simbologia. Valorizar mulheres em posições de liderança, sobretudo em áreas que estruturam diretrizes e cultura organizacional, é fortalecer organizações mais éticas, transparentes e resilientes.
Promover confiança institucional não é apenas proteger pessoas.
É preservar reputação, reduzir exposição e assegurar a continuidade do negócio.
Por: Adriana S Carreira, Superintendente de Compliance na Actionline