Central de Outdoor propõe Debate Técnico e Estruturado sobre Distritos de Mídia

LinkedIn
X
Facebook
Threads
WhatsApp

Quando São Paulo aprova o avanço de um projeto de distrito de mídia digital no cruzamento da São João com a Ipiranga, o debate público rapidamente se divide entre dois extremos previsíveis: modernização ou poluição visual.

As grandes metrópoles globais já entenderam que comunicação, tecnologia e urbanismo não são forças concorrentes, mas sim vetores integrados de desenvolvimento econômico. Nova York, Seul, Tóquio, Xangai e Londres transformaram seus distritos de mídia em ativos estratégicos combinando publicidade, entretenimento, turismo e regeneração urbana. Não se trata apenas de telões. Trata-se de reposicionamento simbólico, ativação econômica e protagonismo cultural.

São Paulo sempre foi uma cidade que liderou debates urbanos complexos. A Lei Cidade Limpa tornou-se referência ao reorganizar a paisagem e impor critérios ao setor. Agora, duas décadas depois, a cidade enfrenta um novo desafio: como evoluir sem retroceder? Como incorporar a linguagem digital, a economia da atenção e a disputa global por relevância urbana sem abrir mão de planejamento e governança?

Apelidado informalmente de “Times Square paulistana”, o projeto recebeu aprovação do órgão municipal de preservação do patrimônio e integra um plano de requalificação do Centro Histórico. A proposta prevê a instalação de grandes painéis digitais, associada a contrapartidas urbanísticas e culturais, dentro de um modelo que ainda passará por análises complementares ligadas à paisagem urbana e à regulamentação publicitária da cidade.

A Central de Outdoor é a maior entidade representativa da mídia exterior no Brasil e atua há mais de quatro décadas como voz institucional do setor, dialogando com o poder público, o mercado e a sociedade sobre o papel da comunicação urbana no desenvolvimento das cidades. Com presença nacional, a entidade defende um modelo de mídia responsável, regulado e integrado ao planejamento urbano, no qual o OOH não apenas ocupa espaço, mas gera valor econômico, social e cultural para a cidade.

Veja o posicionamento na íntegra, assinado por Halisson Pontarola, Presidente da Central de Outdoor:

O debate sobre Distritos de Mídia digital, informalmente batizados e americanizados como “Times Square”, não pode ser reduzido a uma dicotomia simplista entre “modernização” e “impacto visual desordenado”. Trata-se, na realidade, de discutir modelo urbano, governança, curadoria qualificada e responsabilidade pública.

Essa discussão precisa ser conduzida com embasamento técnico e visão de longo prazo. Não se trata de replicar modelos estrangeiros de forma aleatória, tampouco de flexibilizar regras sem critérios claros. Trata-se de compreender como a comunicação urbana pode evoluir de maneira responsável, estruturada e integrada ao planejamento da cidade, contribuindo efetivamente para a regeneração econômica e social dos centros urbanos.

A Central de Outdoor, maior associação de mídia exterior do Brasil, defende que a discussão sobre leis regulatórias e, principalmente, sobre os distritos de mídia digital precisa ser conduzida com maturidade e base técnica.

Quando falamos em distritos de mídia, falamos de territórios delimitados, com regras específicas, governança clara, curadoria urbana e contrapartidas objetivas ao poder público e à população. Esse é o ponto central.

O conceito de mídia regenerativa parte de um princípio simples: a publicidade não deve apenas ocupar espaço, e sim devolver valor ao espaço.

Em um modelo bem estruturado, os distritos de mídia podem gerar benefícios concretos ao ecossistema urbano:

1. Revitalização de áreas degradadas

A concentração de ativos digitais em regiões previamente definidas aumenta a circulação de pessoas, amplia a sensação de segurança e estimula a ocupação noturna, contribuindo para a recuperação de centros urbanos que perderam vitalidade econômica.

2. Estímulo ao comércio local

O aumento do fluxo impacta diretamente bares, restaurantes, varejo, hotelaria e serviços. A mídia funciona como catalisadora de movimento e permanência.

3. Geração de empregos diretos e indiretos

Projetos dessa natureza envolvem engenharia, tecnologia, manutenção, criação de conteúdo, produção cultural, eventos e serviços urbanos. O OOH é o terceiro meio para o qual se destinam as verbas publicitárias. O relatório Cenp-Meios ratifica que o OOH manteve o terceiro lugar, com participação de 11,8%, equivalente a mais de R$ 3 bilhões faturados. Já pelo levantamento da Tendências, os players de mídia OOH faturam, aproximadamente, R$ 5,5 bilhões.

A penetração do OOH, portanto, chega a 89% do território nacional. Assim, por isso mesmo, o meio tem capacidade de desdobramentos na economia: R$ 1 milhão em investimento no OOH gera R$ 835 milhões para o PIB, aponta o relatório da Tendências.

4. Atração de turismo e eventos

Os distritos de mídia tornam-se pontos de referência simbólica, fortalecendo a imagem da cidade e ampliando seu potencial turístico e de entretenimento.

5. Valorização imobiliária estruturada

A requalificação do entorno impacta positivamente imóveis e ativos comerciais, desde que acompanhada de planejamento urbano e equilíbrio regulatório.

6. Arrecadação indireta e desoneração do poder público

Como são custeados pela iniciativa privada e vinculados a termos de cooperação transparente, incluindo doação de mídia ao poder público, esses projetos entregam infraestrutura, iluminação, conservação e intervenções urbanas sem onerar o orçamento municipal.

7. Produção de conteúdo cultural e institucional

A obrigatoriedade de veiculação de conteúdos públicos, culturais e comunitários amplia o papel social da mídia.

8. Integração entre tecnologia e urbanismo

Cidades que desejam competir globalmente precisam integrar inovação, comunicação e desenvolvimento urbano de forma coordenada.

É fundamental destacar que a modernização regulatória constitui etapa primordial para que as cidades brasileiras possam se adaptar às novas tecnologias e aos novos modelos de comunicação urbana, preservando princípios de ordenamento, equilíbrio estético e responsabilidade social, ao mesmo tempo em que viabiliza ganhos econômicos, inovação e benefícios estruturais para a cidade.

O risco não está no suposto potencial de poluição visual, mas sim na ausência de planejamento, diretrizes claras e governança adequada. O verdadeiro risco está em perder a oportunidade de tangibilizar, de forma estruturada e mensurável, todos os ganhos urbanos, econômicos e sociais que o conceito de mídia regenerativa pode proporcionar à cidade.

Modelos planejados, com governança adequada, transparência e participação institucional dos setores interessados podem gerar equilíbrio entre estética urbana e dinamismo econômico olhando holisticamente para o conjunto de leis que ordenam também outros formatos de mídia fora dos distritos. A alternativa não é proibir, mas ordenar com inteligência.

Quando bem regulamentadas, as leis que tratam do tema da mídia OOH (Out of Home) e dos distritos de mídia não competem com a cidade, elas passam a integrar uma estratégia maior de desenvolvimento econômico, cultural e turístico.

O debate precisa sair da superficialidade estética e avançar para uma análise sistêmica de impacto urbano. O debate não pode permanecer limitado à narrativa e rotulagem simplista de ‘poluição visual’; é necessário avançar para uma abordagem sistêmica, fundamentada em planejamento, governança, impacto econômico e responsabilidade pública, avaliando os efeitos estruturais sobre o olhar do desenvolvimento urbano moderno que funciona no mundo todo.

As cidades que prosperam são aquelas que compreendem que comunicação, tecnologia e urbanismo não competem entre si, mas se complementam.

Leia outras notícias: https://marcaspelomundo.com.br/categorias/ooh/

LinkedIn
X
Facebook
Threads
WhatsApp
Piracanjuba e Cacau Show levam laCreme para o segmento de bebidas prontas

Piracanjuba e Cacau Show levam laCreme para o segmento de bebidas prontas

A Piracanjuba e a Cacau Show uniram forças para apresentar uma novidade que marca a entrada da tradicional linha laCreme em uma nova categoria. As empresas desenvolveram uma linha de bebidas prontas para beber inspiradas nos chocolates da marca, ampliando as possibilidades de consumo de um dos produtos mais conhecidos

Acelerado por ecommerce.CAMP/portais Portais de alta performance com IA que aprendem a cada visita,
indexados e otimizados para SEO, GEO e LLMs, em piloto automático.