Papo Pretx transforma poesia em manifesto de empoderamento negro

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Para marcar o mês da Consciência Negra e o que representa o pensar do racismo estrutural brasileiro, o Coletivo Papo Pretx, grupo idealizado e integrado por pretxs da agência de propaganda Leo Burnett Tailor Made, desenvolveu um filme a partir da poesia de um colaborador do time de mídia da agência: o estagiário Luiz Gutierre. O diretor Ricardo Souza, da produtora Butterfly Coletivo, igualmente preto, assina a direção de cenas e a trilha foi da Tesis.

Na narrativa, o difícil ano de 2020 é retratado em frases e versos de força, beleza e coragem, embaladas por cenas que mostram que a representatividade da negritude é tão infinita como a força proveniente de sua ancestralidade.

“Nosso intuito foi apresentar um trabalho que falasse da gente para todo mundo, de como somos, como pensamos, o que gostamos de fazer. Esse filme é um manifesto de empoderamento preto e de aliança para que a gente possa construir um país mais justo, com equidade social e profissional”, destaca Samanta Germano, Gerente de Atendimento da Leo Burnett e que integra o Coletivo Papo Pretx.

A ação faz parte de uma série de iniciativas que têm sido desenvolvidas durante este mês, assinadas pelo coletivo, criado há quase um ano e que ao longo dos últimos 11 meses, que tem feito um trabalho consistente para diversificar o ambiente publicitário atual, alinhando propostas, expectativas para a visibilidade do povo preto na comunicação.

Para novembro, especificamente, estão sendo desenvolvidos conteúdos, como newslettesr, lives, podcast, e-mail marketing que estimulam a reflexão sobre a naturalização e representatividade, levantando a questão de raça, e a acessibilidade dos pretxs no mercado de trabalho, especificamente na área publicitária.

“O mês da Consciência Negra não foi antecipado para maio (em alusão à data da Lei Áurea). Tampouco devemos pensar nele apenas em novembro. A consciência deveria existir a cada segundo, já que a cada 23 minutos um negro morre no Brasil; e com a pandemia a condição de ser negro no Brasil só se agravou, já que a comunidade é a mais afetada em questões de saúde pública. Brancos e negros têm um problema, e precisamos lidar com isso juntos.  É urgente”, complementa Samanta.

A conscientização racial é um processo de descolonização do pensamento, uma etapa de politização do indivíduo na sociedade, uma vez que o racismo estrutural, em suas múltiplas faces, apaga, discrimina e separa a história do povo preto, com o intuito genuíno de sustentar os privilégios da classe dominante: a dos brancos.

A recuperação da história, das estratégias, dos nomes e dos heróis é a principal fonte da consciência racial, pois, com esse resgate, são despertadas narrativas ancestrais que educam e empoderam o povo negro a partir do que lhes foi negado ou ocultado pelo racismo.

“Representatividade importa, mas o pertencimento também”, finaliza Juliana Oliveira, do time de atendimento da Leo Burnett e que também integra o coletivo.

Assista ao filme:

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