Made in China

Made in China - artigo de Daniel Aguado

O novo coronavírus reacendeu um velho preconceito do consumidor brasileiro: produto chinês é bom? Pessoalmente, acho bem estranho ainda nos preocuparmos com esse tipo de informação; afinal, basta checar algumas etiquetas dos itens presentes em nossas casas para identificarmos componentes oriundos do país asiático. Sim, hoje em dia, é quase impossível encontrar algum produto sem o DNA chinês.

É importante reconhecer que os produtos chineses evoluíram muito ao longo dos últimos anos e, agora, conseguem enfrentar com bastante sucesso os seus rivais ocidentais. O ponto crucial é a falta de credibilidade da marca China, cristalizada por períodos de produção de baixa qualidade e, em alguns casos, marcado pela cópia indiscriminada das marcas mais consagradas ao redor do mundo.

Por isso, é bem possível acreditar que a Coronavac seja tão ou mais eficiente quanto qualquer outra vacina em testes ao redor do planeta; no entanto, o medicamento chinês carrega o peso da sua origem. Não é apenas no segmento médico que essa percepção negativa ocorre e outros segmentos da indústria enfrentam o mesmo problema.

Recentemente, a Ford apresentou mundialmente o seu novo SUV, o Territory. Desde o seu lançamento, grande parte da imprensa fez questão de frisar em suas avaliações a origem chinesa do veículo, mesmo quando suas características técnicas se sobressaem aos demais concorrentes. Por que isso é tão relevante quando se tem qualidade? Afinal, com a globalização, tornou-se muito mais simples estabelecer processos padronizados para a fabricação dos produtos ao redor do mundo, assegurando os mesmos níveis de qualidade encontrados nos respectivos países de origem.

Goste você ou não, as empresas que conseguem definir e executar esses padrões, certamente, aproveitam a alta competitividade e a eficiência chinesa para produzirem produtos desejados a preços bem acessíveis. Aqui em casa, por exemplo, a geladeira e a lava-e-seca da Brastemp são chinesas. Vários utensílios da cozinha, mesmo comprados durante viagens ao redor do mundo, são chineses. O Kindle é chinês. As torneiras são chinesas. Enfim, por que a vacina não será made in China?

Por: Daniel Aguado – Diretor de Marketing do Poliedro Educação

LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/daniel-aguado-1b7b229/

 

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