Como ser estrangeira na América Latina me ensinou sobre adaptabilidade

Valérie Behr - Como ser estrangeira na América Latina me ensinou sobre adaptabilidade
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Desde que comecei minha carreira na indústria digital, sempre tive interesse em trabalhar com outras culturas. Após um ano e meio viajando por diversos países do continente americano, resolvi tentar uma chance de trabalho na região. A experiência adquirida em Paris e também em Madrid me deixou segura o suficiente para embarcar nessa aventura fora da Europa.

Escolhi o Brasil para iniciar essa nova fase na minha vida, mais especificamente São Paulo, uma das capitais da América Latina mais movimentadas e com mais oportunidades profissionais interessantes. Cheguei na cidade sem nenhum contato, apenas com a minha experiência no digital, e após três meses encontrei a startup Dynadmic, hub de vídeo digital francês referência em estratégias de segmentação e branding,  onde comecei atuando como Business Developer, atendendo o território brasileiro e também de outros países da América Latina.

Eu nunca havia trabalhado com brasileiros antes e a nova função me proporcionou a vivência cultural que eu tanto ansiava. Inicialmente, confesso, tive dificuldades em me adaptar com alguns comportamentos corporativos bastante comuns por aqui, mas inexistentes no meu país de origem. Na França, culturalmente somos mais diretos e objetivos na vida pessoal e, principalmente, no ambiente profissional.

Trabalhando no Brasil, e tendo contato com outros países latino-americanos, eu aprendi a deixar as relações mais leves e menos pragmáticas, sem deixar de lado o profissionalismo, e comprovei o quanto essa mudança de comportamento não apenas me ajudou na comunicação com os clientes da região, mas também com as minhas equipes locais, gerando melhores resultados para a companhia.

Essa experiência me ajudou a entender na prática a importância de respeitarmos o ambiente cultural no qual nos inserimos e extrairmos o melhor dele de modo a nos tornarmos melhores líderes e pessoas – o aprendizado foi tão marcante e transformador pra mim que eu decidi trazê-lo também para a minha vida pessoal – junto do queijo branco, da caipirinha e do funk.

Depois de um ano no Brasil, fui promovida pela empresa e convidada a me mudar para o México e coordenar a abertura da operação da companhia no país. Formar uma equipe inteira em um país estrangeiro foi, sem dúvida, um dos maiores e mais importantes desafios da minha carreira. Uma experiência que despertou em mim a paixão pela docência e me fez aceitar o convite para me tornar professora em uma universidade mexicana falando sobre um dos temas que mais amo: a publicidade digital.

Quatro anos depois, voltei para o Brasil promovida e com um novo desafio: liderar uma equipe sênior. A mudança coincidiu com a pandemia e o início do trabalho remoto. Tanta mudança em tão pouco tempo me fez duvidar se eu conseguiria dar conta dessa nova fase profissional. No entanto, me surpreendi com a agilidade com a qual me adaptei ao “novo normal”.

Uma adaptabilidade que, sem sombra de dúvidas, eu desenvolvi a partir da minha vivência no Brasil e no México. Mais do que português e espanhol, a experiência nestes dois países me ensinou a ser uma líder mais presente, flexível e aberta à troca e ao aprendizado constantes, características fundamentais sobretudo no segmento de Tecnologia no qual atuo em que a mudança é a única certeza.

Ao decidir viver essa experiência na América Latina, ouvi de muitos profissionais que era uma escolha arriscada e que teria dificuldades para exercer o trabalho, uma vez que não conhecia ninguém nos países. Quase uma década depois, tenho um saldo pra lá de positivo: fortes relações profissionais com clientes, amplo crescimento profissional, um filho recém-nascido e uma visão de mundo muito mais ampla e diversa.

Por Valérie Behr, country manager da DynAdmic no Brasil e Head Sales LATAM

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