A Volkswagen escolheu a Festa do Peão de Barretos para mostrar pela primeira vez, sem camuflagem, o design exterior da Tukan, picape desenvolvida no Brasil que chegará ao mercado no primeiro semestre de 2027. O modelo terá configurações de cabine simples e dupla e marca a entrada da montadora em um segmento no qual ainda não atua no País.
A novidade faz parte de uma estratégia mais ampla da Volkswagen para aumentar sua presença entre as picapes na América do Sul. A Tukan integra o plano de 21 lançamentos previstos para a região até 2028, apoiado por investimentos de R$ 20 bilhões. A produção ficará concentrada em São José dos Pinhais, no Paraná.
Em Barretos, a fabricante exibe duas propostas do modelo. A cabine simples aparece na versão de entrada Robust, direcionada principalmente ao trabalho e a aplicações profissionais. Já a cabine dupla é mostrada na versão Extreme, na cor Amarelo Canário, tonalidade escolhida para acompanhar a comunicação do veículo desde as etapas iniciais de desenvolvimento.
“As picapes dobraram sua participação no mercado brasileiro na última década e passaram a atender necessidades cada vez mais diversas. Temos um legado forte nesse universo no Brasil e a Tukan abre uma nova frente para a Volkswagen do Brasil. Desenhada, desenvolvida e produzida no País, com participação direta dos clientes ao longo de seu desenvolvimento, ela nos leva a um segmento inédito e amplia nossa presença em um mercado onde ainda temos muito espaço para crescer”, afirma Ciro Possobom, Presidente e CEO da Volkswagen do Brasil.
Design busca distanciamento do T-Cross
Embora utilize uma arquitetura conhecida da Volkswagen e tenha o T-Cross como origem técnica, a Tukan foi desenhada para ter uma identidade visual própria. Na dianteira, o conjunto óptico em LED foi posicionado mais alto, enquanto elementos em preto e entradas de ar compõem o para-choque. Nas laterais, linhas convergem para a região central da carroceria, formando um desenho em “X”.
“Nas primeiras gerações de veículos derivados de automóveis de passeio, era natural que grande parte da identidade visual viesse do modelo que lhes dava origem. A Saveiro, por exemplo, sempre foi muito parecida com seu modelo base, o Gol”, comenta José Carlos Pavone, Head de Design da Volkswagen para as Américas.
As diferenças entre as duas configurações vão além do número de portas. Na cabine simples, a cabine mais curta abre espaço para uma caçamba maior, enquanto componentes considerados essencialmente decorativos foram reduzidos em favor de soluções voltadas ao uso profissional. A cabine dupla, por sua vez, combina a proposta de uma picape com recursos voltados a conforto, tecnologia e diferentes situações de uso.
Clientes participaram do desenvolvimento
Parte das decisões de produto foi tomada a partir de clínicas e avaliações com consumidores. Um dos exemplos está na traseira da cabine simples: após ouvir usuários, a Volkswagen optou por retirar o elemento preto que conecta as lanternas na cabine dupla, privilegiando uma configuração com menos componentes decorativos e maior simplicidade de manutenção.
A participação de clientes também chegou aos testes em condições reais de trabalho. Antes da estreia comercial, a plataforma da Tukan já ultrapassou 2 milhões de quilômetros rodados em avaliações. Segundo a fabricante, os resultados provocaram mudanças no sistema de admissão de ar e na climatização do veículo, entre outros ajustes.
Plataforma MQB chega às picapes
A Tukan será a primeira picape da Volkswagen no mundo baseada na plataforma MQB. Para adaptar a arquitetura às demandas de carga e trabalho, o projeto recebeu soluções específicas, entre elas suspensão traseira com feixe de molas e aumento do entre-eixos.
A caçamba foi dimensionada para receber pallets de diferentes tamanhos e o veículo terá caixa de ferramentas integrada. A Volkswagen também prevê uma linha de acessórios e soluções para diferentes tipos de utilização, cujos detalhes serão divulgados posteriormente.
A Tukan amplia uma história da Volkswagen com picapes no Brasil iniciada em 1967, com a Kombi Pick-up. Depois vieram a Saveiro, em 1982, e a Amarok, em 2010. Agora, a fabricante prepara o próximo passo dessa estratégia com um produto desenvolvido e produzido no País.
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