Quando a IA vira commodity, a criatividade humana assume o protagonismo. Entrevista com Patricia Pessoa, diretora de marketing da GOL

Cannes Lions 2026 - Entrevista com Patrícia Pessoa, diretora de marketing da Gol Linha Aéreas
LinkedIn
X
Facebook
Threads
WhatsApp

Enquanto boa parte das discussões em Cannes Lions 2026 gira em torno da inteligência artificial e da velocidade das transformações tecnológicas, Patricia Pessoa enxerga um movimento complementar. Para a Diretora de Marketing da GOL Linhas Aéreas, o futuro do marketing não será decidido apenas pelas ferramentas mais avançadas, mas pela capacidade humana de interpretar, sentir e construir narrativas relevantes.

Em entrevista ao Marcas pelo Mundo, conduzida pela jornalista Elisangela Peres, durante o festival realizado em Cannes, na França, a executiva falou sobre sua primeira experiência no principal encontro da criatividade mundial, refletiu sobre o papel da IA na construção das marcas e revelou como a GOL prepara sua expansão internacional sem abrir mão da identidade brasileira que consolidou sua relação com os consumidores.

A conversa acontece em um momento estratégico para a companhia. Depois de uma trajetória marcada pela democratização do transporte aéreo no Brasil, a GOL inicia uma nova etapa, ampliando sua presença internacional com novos voos para destinos como Paris, Lisboa e Nova York.

Cannes como ponto de encontro entre criatividade e tecnologia

Apesar da rotina intensa de quem lidera uma das maiores marcas do setor aéreo brasileiro, Patrícia decidiu incluir Cannes Lions na agenda deste ano. Antes de desembarcar na Riviera Francesa, havia passado por Estocolmo em uma imersão sobre tecnologia, inovação e novos negócios.

A intenção era conectar dois universos que, segundo ela, caminham juntos: a evolução tecnológica e a criatividade. Patricia ressalta que compreender como essas duas forças se encontram será determinante para o futuro das marcas.

Ela conta que fez questão de participar do festival justamente para observar como a indústria criativa está respondendo às mudanças provocadas pela inteligência artificial e pelos novos modelos de inovação.

A IA democratizou as ferramentas. O diferencial voltou a ser humano.

A popularização da inteligência artificial tem provocado uma sensação comum no mercado: se todos têm acesso às mesmas ferramentas, como construir diferenciação?

Para Patrícia, a resposta não está na tecnologia, mas em quem a utiliza. Na sua visão, a inteligência artificial eliminou barreiras operacionais e tornou o acesso aos recursos muito mais democrático. O que antes era uma vantagem competitiva passou a ser praticamente um requisito básico.

“O que fazer com os dados e que conversa você vai trazer a partir deles precisa de uma humanidade maior, precisa de um sentimento maior. Acho que isso é o que vai diferenciar”, comenta Patricia.

Segundo a executiva, a tecnologia continuará sendo indispensável para qualquer estratégia de marketing. No entanto, ela acredita que o verdadeiro valor está na capacidade de interpretar informações, compreender contextos e construir narrativas que façam sentido para as pessoas. É justamente aí que a criatividade humana volta a ocupar um espaço central.

A criatividade ganha força justamente porque a IA evoluiu

Ao contrário das previsões de que a inteligência artificial reduziria a importância dos profissionais criativos, Patrícia enxerga um movimento oposto. Quanto mais sofisticadas se tornam as ferramentas, maior passa a ser a necessidade de repertório, sensibilidade e visão estratégica para utilizá-las.

“Para mim agora, a humanidade é o grande diferencial, mas a humanidade no sentido real da palavra, no sentido de você sentir de fato, no sentido de você entender.”

Ela explica que existe uma característica que continua exclusivamente humana: a capacidade de decidir mesmo quando todas as respostas ainda não estão disponíveis. Enquanto algoritmos dependem de bases de dados completas para gerar recomendações, profissionais conseguem combinar experiência, contexto, percepção e intuição para construir caminhos.

“Dados continuam extremamente importantes. Mas a decisão sobre o que fazer com eles continuará sendo humana”, resume a executiva.

Nem todas as empresas estão no mesmo estágio dessa transformação

Na avaliação da diretora de marketing da GOL, o mercado ainda vive momentos bastante diferentes em relação à inteligência artificial. Existem empresas que sequer iniciaram essa jornada. Outras mergulharam completamente na automação. E há aquelas que começam a perceber que o futuro dificilmente estará em um dos extremos.

Para Patrícia, o mercado atravessa um movimento natural de busca por equilíbrio. Primeiro, houve um encantamento quase absoluto pela tecnologia. Agora, começa a surgir a percepção de que inovação e criatividade não competem entre si, elas se complementam.

“Todo mundo vai ter acesso às ferramentas. Isso deixa de ser diferencial. O diferencial passa a ser o que cada marca faz com elas”, observa.

A GOL prepara um novo voo para sua marca

A conversa também revelou um dos momentos mais importantes da companhia nos últimos anos. Depois de consolidar sua presença no mercado brasileiro, a GOL inicia uma nova fase de internacionalização, com operações para Paris, Lisboa e Nova York.

O desafio, segundo Patrícia, vai muito além da expansão da malha aérea. A missão agora é construir uma marca reconhecida também fora do Brasil, preservando exatamente os atributos que fizeram a empresa conquistar a preferência de milhões de brasileiros.

A executiva explica que tecnologia continuará sendo parte inseparável da operação da GOL. Afinal, a aviação depende de dados, inteligência e inovação para garantir segurança, eficiência e uma experiência consistente ao passageiro.

Mas, para ela, o crescimento internacional também representa uma oportunidade de exportar uma imagem diferente do Brasil: Um Brasil eficiente, acolhedor e que entrega qualidade.

No Cannes Lions, onde praticamente todas as conversas passam pela inteligência artificial, Patrícia Pessoa deixa uma reflexão que resume bem o momento vivido pelo marketing global: quando a tecnologia se torna acessível para todos, a vantagem competitiva deixa de estar na ferramenta. Ela volta a morar onde sempre esteve: na capacidade humana de interpretar o mundo, criar conexões e contar histórias que façam sentido para as pessoas.

Assista:

A cobertura do Marcas pelo Mundo no Cannes Lions 2026 é patrocinada por RECORD Ads, Artplan, Central de Outdoor, GUT e Peralta Creatives.

LinkedIn
X
Facebook
Threads
WhatsApp
Ford renova identidade da Motorcraft

Ford renova identidade da Motorcraft

A Ford renovou a identidade visual da Motorcraft, sua marca de autopeças, e anunciou uma mudança também para a Omnicraft. A linha destinada a veículos de outras montadoras passará a usar o nome Motorcraft. A atualização mantém o nome Motorcraft em letras brancas sobre fundo vermelho, mas adota uma nova

OOH brasileiro conquista nove troféus no Prêmio ALOOH 2026

Empresas associadas à Central de Outdoor conquistaram nove troféus no Prêmio ALOOH 2026, realizado durante o Foro ALOOH LATAM, em Lima, no Peru. Os trabalhos premiados incluem projetos para marcas como Cheetos, Lay’s, CazéTV e MedSênior, além da Maratona do Rio. Promovido pela Associação Latino-Americana de Out of Home (ALOOH),

Barbie ganha coleção de semijoias em parceria com a Misha

Barbie ganha coleção de semijoias em parceria com a Misha

Barbie e Misha, marca de semijoias da empresária e influenciadora Mica Rocha, criaram uma coleção inspirada no universo da boneca. Com o conceito “Seu mundo Barbie, seu jeito Misha”, a parceria leva referências da personagem para diferentes tipos de acessórios. A coleção reúne brincos, pulseiras, colares, anel, piercing e pingentes,

Histórias de torcedores, jogadores e moradores ligados ao Grêmio Osasco Audax serviram de inspiração para um uniforme de edição limitada criado por meio de uma iniciativa da Lenovo. Batizada de “12º Jogador”, a peça faz referência à torcida e incorpora elementos relacionados à identidade, às tradições e aos bairros de origem de jogadores do clube. O uniforme faz parte do Your Club Your Canvas, iniciativa da Lenovo dentro da plataforma Work For Humankind. O projeto foi desenvolvido com Becky G, embaixadora global da iniciativa, cantora e investidora do Angel City FC, e teve direção criativa de Heloisa Hariadne. Segundo a Lenovo, os lucros das vendas serão reinvestidos no Audax para apoiar as seletivas realizadas pelo clube nas comunidades de São Paulo e criar oportunidades para jovens por meio do esporte. “O futebol pode criar oportunidades para muitos, e é nessa oportunidade que estamos focados em construir no Audax”, disse Gustavo Teixeira, principal investidor do Grêmio Osasco Audax. “Trabalhamos sempre para desenvolver jovens jogadores e futuros talentos, ao mesmo tempo em que criamos um espaço seguro e cheio de vida, ao qual todos pertencem. O uniforme do 12º jogador realmente captura a resiliência, a esperança e a ambição que os jogadores e a comunidade levam para o campo.” Comunidade participa do processo criativo O desenvolvimento do uniforme reuniu torcedores, jogadores, moradores locais e Heloisa Hariadne. Conversas, experiências em dias de jogo e histórias da comunidade ajudaram a definir elementos do design. Durante o processo, Heloisa utilizou dispositivos da Lenovo e da Motorola e recursos de inteligência artificial. Um Motorola Razr Fold com moto AI foi usado para registrar pessoas, momentos e a atmosfera ao redor do Audax. Os esboços foram desenvolvidos em um Lenovo Yoga Tab Plus, enquanto o design final foi refinado em um Yoga Pro 9i Aura Edition. “O futebol sempre foi sobre as pessoas”, disse Becky G, embaixadora global da iniciativa. “É sobre as comunidades, tradições e experiências compartilhadas que unem os torcedores. O que mais amo nesses uniformes é que eles não foram projetados para as comunidades — foram projetados com elas. Eles refletem um orgulho e um pertencimento que vão muito além do jogo.” Audax encerra iniciativa realizada em quatro países O Audax marca a etapa final do Work For Humankind: Your Club Your Canvas, realizado em clubes de futebol comunitários no Brasil, China, Itália e Estados Unidos. A iniciativa inseriu diretores criativos nesses clubes para desenvolver peças inspiradas nas histórias e identidades de suas comunidades, com apoio da tecnologia. “A cultura começa com as pessoas”, disse Emily Ketchen, SVP e diretora executiva de Marketing (CMO) do Intelligent Devices Group e Mercados Internacionais da Lenovo. “Nosso papel é ajudar os criadores a transformarem ideias em algo real. O que você vê nestes uniformes do 12º Jogador é muito mais do que um design. São as histórias, tradições e o orgulho de toda uma comunidade entrelaçados em algo que as pessoas podem vestir. Quando a tecnologia apoia a criatividade, ela pode ajudar as comunidades a celebrarem quem são e a compartilhar essa identidade com o mundo.” O uniforme de edição limitada está disponível para compra online. Segundo a Lenovo, os lucros das vendas serão reinvestidos no Audax para apoiar as seletivas do clube nas comunidades de São Paulo.

Torcida do Audax inspira uniforme criado em projeto da Lenovo

Histórias de torcedores, jogadores e moradores ligados ao Grêmio Osasco Audax serviram de inspiração para um uniforme de edição limitada criado por meio de uma iniciativa da Lenovo. Batizada de “12º Jogador”, a peça faz referência à torcida e incorpora elementos relacionados à identidade, às tradições e aos bairros de

Acelerado por ecommerce.CAMP/portais Portais de alta performance com IA que aprendem a cada visita,
indexados e otimizados para SEO, GEO e LLMs, em piloto automático.