Em um cenário de transformação acelerada na indústria musical, um novo movimento quer recolocar o humano no centro da criação. A TBWA\Chiat\Day LA, em parceria com a produtora Jazz Is Dead, apresenta o “Played by Humans”, iniciativa que estabelece um selo de autenticidade para identificar obras musicais criadas por pessoas, e não por inteligência artificial.
A proposta chega em um momento de forte expansão da música gerada por algoritmos. Um estudo da Ipsos para o Deezer aponta que 97% dos ouvintes não conseguem diferenciar uma faixa humana de uma sintética. Com cerca de 60 mil músicas criadas por IA sendo publicadas diariamente nas plataformas de streaming, a projeção é de impacto direto na renda dos artistas, que podem perder o equivalente a três meses de ganhos anuais até 2028.
Para marcar a chegada do projeto, foi produzido um curta-metragem documental que explora a relação entre música e humanidade. O filme apresenta uma releitura “feita por humanos” da faixa Through My Soul, originalmente criada por inteligência artificial. A nova versão foi conduzida por Ali Shaheed Muhammad e Adrian Younge, fundadores da Jazz Is Dead, com vocais de Loren Oden — trazendo à tona nuances, improvisos e emoções que contrastam com a lógica algorítmica.
Assista ao filme:
O Brasil marca presença na iniciativa. A Canja Audio Culture foi responsável pela trilha e pela pós-produção de som do projeto, incluindo o curta. Já o design do selo leva a assinatura de Bruno Regalo, Global Chief Design Officer da TBWA\Worldwide, que buscou criar um símbolo de fácil reconhecimento e forte impacto cultural.
“Projetamos este selo com uma crença simples: o símbolo mais poderoso não é aquele que rejeita a tecnologia, mas o que celebra a humanidade. É uma promessa visual de que há uma pessoa real por trás daquela música. O design visa tornar a humanidade visível e valorizada”, afirma Regalo.
O ecossistema do “Played by Humans” está centralizado na plataforma oficial do movimento. Por lá, artistas, gravadoras e ouvintes podem submeter faixas para análise. A ferramenta gera uma pontuação de confiança, e as músicas que atingem o nível necessário recebem o selo — uma certificação baseada em blockchain que pode ser aplicada tanto em álbuns físicos quanto digitais.
Além da identidade visual, a assinatura sonora do projeto também foi tratada como peça-chave. “Estamos em um ponto de inflexão na indústria criativa. A tecnologia deve ser uma ferramenta de expansão, não de substituição da essência. Participar de um movimento global como este, desenvolvendo a identidade sonora de uma causa tão vital, reafirma o posicionamento da Canja na vanguarda da produção de áudio. O selo de autenticidade não é um ataque à inovação, mas sim uma garantia de valor para o talento humano e para a sustentabilidade econômica dos artistas”, pontua Eduardo Karas, sócio e CCO da Canja.
A adesão ao movimento já começa a ganhar escala. Empresas como APM Music, Sonic Union, Tickets for Good, KJazz 88.1 FM e Harper House Music Foundation estão entre as participantes, ao lado de mais de mil álbuns e artistas — incluindo projetos como Twelve Reasons to Die (Ghostface Killah), Black Dynamite Original Score (Adrian Younge) e There Is Only Now (Souls of Mischief).
Leia outras notícias: https://marcaspelomundo.com.br/categorias/anunciantes/
