Nove anos depois de começar com um estoque de perfumes acomodado na sacada de um apartamento, a Amakha Paris escolheu um endereço diretamente ligado à essência de seu negócio para celebrar sua trajetória. A marca reuniu convidados na IFF (International Flavors & Fragrances), uma das principais casas de fragrâncias do mundo e parceira da empresa, para uma imersão nos bastidores da perfumaria.
O encontro mostrou os bastidores de um processo que começa muito antes de o perfume chegar ao frasco. Do briefing à escolha dos ingredientes, passando pela criação, testes e avaliação olfativa, o desenvolvimento pode levar meses até alcançar a formulação desejada. Parceira da Amakha desde os primeiros anos da marca, a IFF participa dessa construção, que combina conhecimento técnico, pesquisa e criatividade.
De uma sacada para milhões de perfumes
A história da Amakha Paris começou em 2017, tendo à frente os irmãos e cofundadores Denise Lemos e Alessandro Lemos. As primeiras 36 mil unidades foram armazenadas no apartamento onde Denise morava, que também funcionou como a primeira sede da empresa. Na época, as caixas chegaram a ocupar a pequena sacada do imóvel, cenário escolhido pela empreendedora para registrar em uma fotografia aquele primeiro estoque da marca.
“A primeira sede da Amakha Paris foi no apartamento onde eu morava. A gente colocou na pequena sacada as caixas das primeiras 36 mil unidades e eu agachei ali para fazer uma foto e mostrar que era um grande estoque. Eu falei: ‘Minha empresa é muito grande, vou mostrar que ela é grande’. Mas realmente era grande dentro de nós. Foi ali que começamos, desenvolvendo as seis primeiras fragrâncias da Amakha”, relembrou Denise Lemos, fundadora e presidente da empresa.
A aposta inicial também contrariava parte da lógica da perfumaria naquele momento. Em vez de concentrar a experiência em grandes frascos, a empresa chegou ao mercado com perfumes de 15 ml, pensados para serem carregados na bolsa ou no bolso e incorporados à rotina. A proposta era reduzir a barreira de entrada da categoria e permitir que o consumidor tivesse diferentes fragrâncias para diferentes momentos.
O formato encontrou na venda direta seu principal caminho de expansão. Segundo números divulgados pela companhia, a Amakha Paris reúne mais de 2,5 milhões de revendedores cadastrados e ultrapassa 20 mil pontos de venda no país. Em nove anos, a marca já comercializou mais de 60 milhões de perfumes. O crescimento também veio acompanhado da diversificação do portfólio, que hoje soma mais de 600 SKUs entre perfumaria, skincare, produtos capilares, maquiagem e outras categorias de beleza.
A sede da companhia, em São Bernardo do Campo (SP), ocupa mais de 10 mil metros quadrados e reúne estrutura administrativa, estúdio, auditório e espaços destinados à experimentação e a eventos. A industrialização e o envase dos produtos são realizados por parceiros, enquanto o processo de desenvolvimento envolve a equipe da Amakha Paris e casas especializadas em fragrâncias.
Geração Z acelera mudanças na perfumaria
O aniversário acontece justamente em um período de mudança na relação do consumidor com o perfume.
Dados e tendências apresentados durante o evento apontaram a Geração Z como um dos públicos que vêm acelerando essa transformação. Em lugar da lógica de um único “perfume assinatura”, ganha espaço um consumo mais dinâmico, no qual fragrâncias acompanham ocasiões, estados de espírito e até diferentes momentos de um mesmo dia.
Outra tendência é o layering, combinação de duas ou mais fragrâncias para construir um resultado personalizado.
Esse comportamento ajuda a acelerar os ciclos da indústria. A IFF e a Amakha observam um aumento no ritmo de lançamentos e de flankers, variações criadas a partir do DNA de fragrâncias já estabelecidas, além de consumidores que passam a formar verdadeiras coleções de perfumes. Segundo informação apresentada no evento, cerca de 84% dos consumidores brasileiros usam perfume diariamente.
Para a Amakha Paris, a mudança conversa diretamente com uma proposta existente desde sua origem: frascos menores e preços que permitem ampliar o repertório de fragrâncias.
Do perfume de bolso à inteligência artificial
Se a venda direta sustentou a expansão da Amakha Paris nos primeiros anos, a empresa agora procura combinar essa estrutura com uma operação cada vez mais digital e omnicanal.
A companhia define o movimento como uma passagem da “venda direta” para a “conexão direta”: o revendedor permanece no centro do modelo, mas passa a atuar conectado a conteúdo, influência digital, tecnologia e diferentes canais de venda.
Parte dessa transformação passa pela inteligência artificial. A empresa desenvolveu dois agentes de IA: um voltado aos revendedores, chamado Sol, e outro direcionado ao consumidor final. As ferramentas respondem dúvidas sobre produtos, referências olfativas, preços e operação comercial, entre outras informações, com atendimento contínuo.
A IA também entrou nos bastidores da companhia. A tecnologia é usada para análise de mídia, geração de relatórios, integração de dados e apoio à produção de conteúdo. A Amakha informou ainda que mantém ferramentas para criação de vídeos e imagens e combina recursos de modelagem 3D com IA na produção de materiais publicitários.
A expansão também passa por um reforço dos investimentos em marketing e tecnologia. A Amakha Paris informou que destina cerca de R$ 300 mil por mês à frente tecnológica, com recursos direcionados a inteligência artificial, integração de canais, operação logística e inteligência de dados. No marketing, a companhia vem ampliando a atuação com assessoria de imprensa, influenciadores, agências parceiras e mídia de performance, com atenção especial ao ambiente digital e ao TikTok Shop. A estrutura combina parceiros externos com um time interno de criação, formado por profissionais de design, direção de arte e redação.
Dados também entram na criação de perfumes
A tecnologia não está restrita à venda e à comunicação. A Amakha combina informações dos revendedores, demandas recebidas pela central de relacionamento, comportamento nas redes sociais e movimentos do mercado internacional para construir briefings de novos produtos.
Foi assim, por exemplo, com a entrada da companhia no movimento da perfumaria árabe. Antes de definir os produtos, a empresa analisou manifestações nas redes sociais e atendimentos de consumidores, consultou sua base de revendedores e, a partir desses dados, selecionou seis fragrâncias para iniciar a coleção. Só depois dessa etapa os briefings seguiram para as casas de fragrâncias responsáveis pelos desenvolvimentos.
Próximo passo é ganhar escala
Aos nove anos, a companhia quer ampliar seu reconhecimento para além da base construída pela venda direta. A meta apresentada durante o evento é ser lembrada por mais de 90% dos brasileiros até 2035. Para chegar lá, a estratégia envolve expansão digital, influência, inteligência artificial, integração de canais e novos produtos.
Ao mesmo tempo, os fundadores sustentam que o foco original permanece na fragrância e na possibilidade de ampliar o acesso à perfumaria.
“Nesses nove anos, essa parceria projetou a Amakha para uma venda exponencial de perfumes em todo o Brasil e na América Latina. A gente conseguiu democratizar a perfumaria fina e dar acesso a todas as pessoas. São nove anos de Amakha e quase 70 milhões de perfumes. Nosso foco sempre foi a essência. É um vidro simples, mas o nosso principal investimento está no que tem dentro dele”, afirmou Alessandro Lemos, cofundador e vice-presidente da Amakha Paris.
Entre as primeiras 36 mil unidades guardadas em uma sacada e os milhões de perfumes comercializados desde então, a Amakha chega ao nono aniversário em um mercado bastante diferente daquele encontrado em 2017. O frasco de 15 ml que inicialmente causou estranhamento encontra agora um consumidor habituado a alternar fragrâncias, experimentar combinações e descobrir perfumes pelas redes sociais.
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