O Festival Cannes Lions 2026 marcou mais um capítulo importante na trajetória da Vox Haus. Com campanhas premiadas para Coca-Cola e Oreo, a produtora brasileira voltou a subir ao palco do maior festival de criatividade do mundo, reforçando a relevância do áudio como elemento estratégico para construir narrativas capazes de emocionar consumidores e conquistar jurados.
Em entrevista concedida à jornalista Elisangela Peres, do Marcas pelo Mundo, diretamente de Cannes, o sócio e CEO da Vox Haus, Matheus Gugelmim, compartilhou os bastidores dos projetos que renderam à empresa os cobiçados Leões.
Para o executivo, acompanhar o desempenho de campanhas como The Oreo Cows, que conquistou 1 Titanium; 1 Leão de Ouro e 1 de Prata em Brand Experience & Activation, 1 Leão de Ouro e 1 de Bronze em Direct, 1 Leão de Prata em Creative Commerce e 1 Leão de Bronze em Film Craft, além de Chicken Screams, criada para Coca-Cola, conquistou 1 Ouro e Social & Creator, tornou a edição de 2026 especialmente marcante.
Mais do que celebrar os prêmios, Gugelmim destacou que trabalhar para marcas desse porte representa a oportunidade de participar de projetos capazes de influenciar comportamentos e dialogar com diferentes culturas ao redor do mundo.
Um dos exemplos citados foi Chicken Screams, desenvolvida para o mercado japonês pela VML NEW YORK & VML SÃO PAULO. A campanha partiu de um hábito de consumo bastante específico: embora o frango frito seja extremamente popular no Japão, a Coca-Cola não era tradicionalmente a bebida escolhida para acompanhar a refeição.
A solução criativa nasceu a partir de um objeto conhecido pelos japoneses: a tradicional galinha de plástico que emite um som característico ao ser apertada. O desafio consistia em fazer com que esse brinquedo reproduzisse, sonoramente, a palavra “Coca-Cola”. A partir dessa ideia, foi criada uma experiência que envolvia aplicativo, ativações de out of home e recompensas para quem conseguisse reproduzir corretamente o som.
Segundo o CEO da Vox Haus, embora o conceito possa parecer curioso para o público brasileiro, ele fazia total sentido dentro da cultura japonesa. O resultado foi uma campanha que aproximou ainda mais a marca de um hábito local e fortaleceu sua presença cultural naquele mercado.
Craft de áudio
Por trás da simplicidade aparente da campanha havia um intenso trabalho técnico. O executivo contou que encontrar a sonoridade ideal exigiu inúmeras gravações, experimentações e uma cuidadosa etapa de pós-produção.
Até mesmo pequenos detalhes da produção do videocase receberam atenção artesanal. Um dos efeitos sonoros utilizados na apresentação, por exemplo, foi produzido manualmente pelo diretor de produção da empresa utilizando a própria galinha de plástico, repetindo inúmeras vezes o movimento para alcançar o resultado desejado.
Para Gugelmin, esse nível de dedicação faz parte do que diferencia um case competitivo em Cannes.
O mesmo cuidado esteve presente em Oreo Cows, projeto desenvolvido a partir das famosas vacas da raça Belted Galloway, cuja aparência lembra o tradicional biscoito Oreo, criação da VML NEW YORK & VML MÉXICO CITY.
Cada animal recebeu uma personalidade específica dentro da narrativa. Algumas vacas eram associadas à música clássica, outras apresentavam hábitos particulares, características que ajudaram a construir uma história mais envolvente por meio da trilha sonora, da locução e do desenho de som.
O processo criativo também passou por uma criteriosa seleção de vozes. Segundo o executivo, mais de 25 locutores foram testados até que a equipe encontrasse a interpretação ideal para o filme.
Conquistar a atenção em meio a milhares de campanhas
Para Gugelmim, um dos maiores desafios do Cannes Lions acontece justamente na etapa de julgamento. Com categorias que reúnem entre 1.500 e 2.000 inscrições, destacar-se depende não apenas da qualidade da campanha, mas também da forma como a história é apresentada aos jurados.
O executivo explica que, depois de assistir centenas de cases consecutivamente, qualquer elemento capaz de surpreender, divertir ou despertar emoção pode fazer diferença na decisão final. Nesse contexto, o áudio deixa de cumprir apenas uma função técnica e passa a atuar como um recurso narrativo essencial para prender a atenção e ampliar o impacto da apresentação.
Esse cuidado acompanha todas as etapas do processo, desde o desenho de som das campanhas até a construção dos filmes exibidos ao júri do festival.
Tecnologia amplia possibilidades, mas não substitui a sensibilidade
Ao comentar o avanço da inteligência artificial na produção criativa, Matheus reconheceu que as novas ferramentas vêm modificando o mercado, mas acredita que o fator humano continuará sendo decisivo para criar histórias memoráveis.
Na avaliação do executivo, tecnologia e automação podem acelerar processos, porém aspectos como emoção, sensibilidade e repertório permanecem ligados à experiência humana. “Eu realmente acho que a sensibilidade e esse carinho, esse craft, é o que faz com que os cases sejam humanos. E é o que faz com que eles sejam especiais.”
A cobertura do Marcas pelo Mundo no Cannes Lions 2026 é patrocinada por RECORD Ads, Artplan, Central de Outdoor, GUT e Peralta Creatives.
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