Vila da Galinha Pintadinha ganha espaço no Beto Carrero em estratégia bilionária de expansão

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A Galinha Pintadinha saiu das telas para ganhar uma vila dentro do Beto Carrero World, em Penha, Santa Catarina. Depois de duas décadas acompanhando a infância de milhões de crianças, a personagem brasileira passa a ocupar um espaço físico permanente no parque, em um movimento que combina entretenimento, conteúdo e uma estratégia de expansão voltada a diferentes perfis de visitantes.

Com investimento de R$ 50 milhões, a Vila da Galinha Pintadinha é a primeira área do Beto Carrero World concebida especialmente para a primeira infância. O espaço reúne atrações, espetáculos, encontros com personagens, cenografia, música, alimentação e loja temática, criando uma experiência que transporta para o mundo físico elementos conhecidos por diferentes gerações.

O Marcas pelo Mundo acompanhou a abertura da área e conversou com Alex Murad, CEO do Beto Carrero World, e com Juliano Prado e Marcos Luporini, criadores da Galinha Pintadinha e diretores da Bromelia Produções, sobre a parceria, a expansão da propriedade intelectual brasileira e os próximos projetos do parque.

A inauguração acontece em um momento importante para as duas marcas. Em 2026, o Beto Carrero World completa 35 anos, enquanto a Galinha Pintadinha chega aos 20 anos com mais de 60 bilhões de visualizações em todo o mundo e amplia sua presença para além do ambiente digital.

De atrações para histórias

A chegada da Galinha Pintadinha acompanha uma transformação na maneira como o Beto Carrero World pensa suas áreas temáticas.

Esse movimento começou com propriedades internacionais. Ao longo dos últimos anos, o parque incorporou universos como Madagascar, Hot Wheels e Nerf e passou a trabalhar com uma lógica em que as atrações deixam de existir de maneira isolada e passam a fazer parte de histórias e universos reconhecidos pelo público.

“A gente começou com essa parceria com a DreamWorks, um estúdio internacional, trouxe a área do Madagascar e, desde lá, vem aprendendo bastante. A gente entendeu que os grandes parques americanos querem ter conteúdo dentro das atrações. Deixou de ser só atração, elas têm que contar histórias”, afirmou Alex Murad ao Marcas pelo Mundo.

Desta vez, porém, a propriedade intelectual escolhida nasceu no Brasil. “Hoje é um dia muito feliz porque, depois de fazer várias parcerias com muitos estúdios grandes, a gente está fazendo parceria com um estúdio gigantesco do Brasil, que é o pessoal da Galinha Pintadinha”, acrescentou.

Uma parceria que começou sete anos antes

A Vila é resultado de uma relação que começou em 2019, durante uma feira em Las Vegas. Foi lá que Murad e os criadores da Galinha Pintadinha começaram a conversar sobre a possibilidade de levar a personagem para dentro do Beto Carrero World.

A ideia avançou ao longo dos anos, atravessou o período da pandemia e chegou à abertura da área sete anos depois.

Durante a conversa com o Marcas pelo Mundo, Murad traçou um paralelo entre as histórias das duas marcas brasileiras e suas origens pouco convencionais.

“São duas empresas nacionais e reconhecidas no Brasil e pelo mundo. É uma sementinha que a gente plantou sete anos atrás e hoje aconteceu. Como a Galinha é uma obra do acaso, o Parque Beto Carrero também é. Uma visita do meu pai em Penha escolheu esse local. A Galinha é um vídeo esquecido no YouTube. É muito divertido ver que tudo isso deu certo”, afirmou.

Uma área para receber os pequenos

A escolha da Galinha Pintadinha também responde a uma oportunidade dentro do próprio público do parque. Segundo Murad, famílias com crianças muito pequenas muitas vezes esperavam alguns anos antes de visitar o Beto Carrero, para que os filhos tivessem idade ou altura para aproveitar uma quantidade maior de atrações.

A nova área procura antecipar esse primeiro contato. “Aquelas famílias que queriam que a criança crescesse um pouco mais para aproveitar o parque já podem vir agora. A área da Galinha Pintadinha é para isso, é para receber os mais pequenos”, explicou o executivo.

A estratégia permite ao Beto Carrero ampliar sua oferta para a primeira infância e, ao mesmo tempo, trabalhar com uma personagem que também estabelece uma conexão com os adultos que acompanham essas crianças.

Parte dessa relação está no repertório musical da Galinha Pintadinha. Muitas das canções que fazem parte do universo da personagem já eram conhecidas por pais e avós antes mesmo do surgimento do projeto.

Para Marcos Luporini, esse componente cultural ajuda a explicar a conexão da marca com diferentes gerações. “Eu acho que o fato de ser um personagem brasileiro ajuda muito. E tocar as músicas que gerações já cantaram antes da gente. São músicas que eu cantei na minha infância. Ver as crianças cantando hoje é superlegal. Acho que o grande trabalho que a gente fez em termos culturais é conseguir manter essas músicas”, afirmou.

Da tela para uma experiência física

Para os criadores da Galinha Pintadinha, a Vila também muda a forma como a propriedade intelectual se relaciona com seu público. Durante grande parte de sua história, a personagem esteve associada principalmente às telas. No Beto Carrero, esse repertório audiovisual ganha dimensão física por meio de cenários, personagens, atrações e música.

“É tão real que parece um sonho, porque a gente sempre trabalha no virtual, na tela, no vídeo. Quando a gente tem a oportunidade de ver as pessoas de verdade, uma área de verdade, é impressionante. A gente está muito emocionado”, contou Juliano Prado.

Entre os espaços da Vila estão o Galinheiro das Divas, a Casa da Galinha Pintadinha, a Casa da Borboletinha, o Pico do Gavião e o Poço do Sapo. O complexo também conta com o Celeiro do Seu Lobato, com banheiros e fraldário, e a Loja do Mestre André, com produtos oficiais da personagem.

O Galinheiro das Divas é um brinquedo infantil tematizado fabricado pela italiana Zamperla. A programação inclui ainda encontros com Galinha Pintadinha, Galo Carijó e Pintinho Amarelinho e dois espetáculos diários, “Dodói da Galinha Pintadinha” e “Papo de Galinheiro”, com aproximadamente 12 minutos cada.

O desenvolvimento da área aconteceu em paralelo a outro projeto importante da marca: o primeiro longa-metragem da Galinha Pintadinha, que chegou aos cinemas em 1º de outubro.

“O projeto do filme teve cinco anos, o do parque a gente está conversando há quase sete anos e, por uma incrível coincidência, na mesma semana eles vão ser inaugurados. Então, é um momento para a gente mais que especial. O filme ficou incrível, a área ficou maravilhosa. A gente está muito ansioso para ver as pessoas chegando e aproveitando tudo isso”, afirmou Prado.

Vila integra plano de R$ 2 bilhões em investimentos

A abertura da Vila da Galinha Pintadinha faz parte de um movimento mais amplo de expansão do Beto Carrero World.

Segundo Murad, o parque trabalha com um plano de R$ 2 bilhões em investimentos. Desse total, R$ 1 bilhão será direcionado ao próprio parque, incluindo três novas áreas temáticas, enquanto outro R$ 1 bilhão será destinado à rede hoteleira.

A Vila da Galinha Pintadinha é a primeira das três áreas previstas. Uma segunda área temática está programada para 2027, mas o executivo preferiu manter em segredo qual propriedade ocupará o espaço.

Para 2028, o projeto já revelado é uma área dedicada ao Bob Esponja, desenvolvida em parceria com a Paramount. “Em 2028 vem a área do Bob Esponja, que é uma área gigantesca e vem para coroar esse R$ 1 bilhão de investimento no parque”, afirmou Murad.

Os projetos ajudam a mostrar o horizonte de longo prazo por trás da expansão. Segundo o CEO, a área do Bob Esponja, por exemplo, está sendo trabalhada há mais de cinco anos.

De parque a destino turístico

A outra metade dos investimentos planejados será direcionada à rede hoteleira, um movimento que revela uma ambição que ultrapassa a expansão do número de atrações.

A estratégia é fortalecer o Beto Carrero World como destino turístico e aumentar sua capacidade de atrair visitantes de outras regiões do País. “O outro bilhão vai ser gasto em rede hoteleira para tornar o Beto Carrero um grande destino e fomentar a vinda de cada vez mais pessoas de fora do Estado para cá”, explicou Murad.

A aposta em hospedagem aproxima o crescimento do parque de uma estratégia mais ampla de turismo, na qual novas atrações podem funcionar como motivadores de viagem e aumentar a permanência dos visitantes na região.

Marketing também entra na estratégia de crescimento

A expansão física será acompanhada por um reforço na comunicação. Mesmo depois de 35 anos de operação, a leitura da companhia é de que existe um contingente significativo de brasileiros que ainda não visitou o parque ou sequer considera o destino em seus planos de viagem.

Para Murad, isso cria espaço para ampliar os investimentos em marketing à medida que a nova fase do Beto Carrero avança. “O Parque Beto Carrero tem 35 anos e tem pessoas no Brasil que ainda não vieram para cá, não conhecem ou não estão cogitando vir. Então, a gente vai ter um investimento bem pesado em marketing para realmente trazer o brasileiro para cá, para ele ter orgulho das coisas que a gente faz aqui no Brasil”, afirmou.

Nesse contexto, a Vila da Galinha Pintadinha funciona em diferentes frentes. Acrescenta uma experiência para um público que ainda tinha menor participação no portfólio do parque, incorpora uma propriedade intelectual brasileira de grande reconhecimento e reforça a estratégia de construir atrações em torno de histórias, personagens e universos capazes de ampliar a relação com o visitante.

Para a Galinha Pintadinha, o movimento também representa uma mudança de escala. Depois de construir sua história principalmente a partir das telas, a personagem passa a ocupar simultaneamente o cinema e um espaço físico permanente.

* A jornalista Elisangela Peres viajou a convite do Beto Carrero World.

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