Antes de chegar à xícara, o café percorre uma longa jornada, que passa pelo campo e por diferentes etapas até a torra, a embalagem e a escolha no supermercado. Solo, água, clima, manejo, colheita e decisões tomadas diariamente pelos produtores interferem não apenas na produtividade de uma lavoura, mas também na qualidade da bebida que chega ao consumidor. É justamente nessa origem que a Nescafé vem concentrando uma parte importante de sua estratégia no Brasil.
Em 2026, a marca completa 15 anos do Nescafé Plan no País, programa que conecta sustentabilidade, assistência técnica, rastreabilidade e qualidade na produção de café. A iniciativa reúne atualmente cerca de 3,8 mil produtores parceiros em diferentes regiões brasileiras, abrangendo desde áreas produtoras de conilon até propriedades dedicadas ao arábica.
Para conhecer de perto o que acontece antes de o café chegar à xícara, o Marcas pelo Mundo acompanhou essa jornada no interior de São Paulo, passando pela Fazenda Nossa Terra, da família de Sabrina Sato, e pela fábrica da Nestlé em Araras. A experiência permitiu percorrer diferentes etapas da cadeia, da lavoura e do processamento dos grãos à produção em escala industrial.
Entrevista com: Bárbara Velo, Head de ESG da Nescafé no Brasil; Gabriela Monsanto, Gerente de Marketing da Nescafé no Brasil; Kika Sato, Proprietária e Coadministradora da Fazenda Nossa Terra; Rodolfo Clímaco, Gerente de Agricultura para Cafés da Nestlé.
Fazenda da família Sato inicia transição para agricultura regenerativa
A Fazenda Nossa Terra é uma das propriedades recentes a entrar na rede do Nescafé Plan. A aproximação tem uma particularidade: não começou a partir de uma prospecção da companhia, mas do interesse da própria família em participar do programa.
A conexão surgiu depois que integrantes da família tiveram contato com a campanha Nescafé Fazedores, criada para dar visibilidade aos produtores que estão por trás do café consumido diariamente. A partir daí, procuraram a marca para entender como poderiam integrar a cadeia.
O encontro abriu espaço para uma nova etapa da propriedade, que começa a desenvolver, em parceria com o Nescafé Plan, um plano de transição para uma agricultura mais sustentável.
Na fazenda, o trabalho envolve análise de solo e de folhas, cobertura da terra, uso mais eficiente da água e acompanhamento do manejo da lavoura. As práticas fazem parte da transição para a agricultura regenerativa, que busca conciliar o uso responsável de recursos como solo, água e biodiversidade com o desempenho da produção.
O cuidado nutricional da lavoura também entra nessa equação. Além de favorecer o desenvolvimento das plantas e a qualidade do café, um manejo mais eficiente pode contribuir para aumentar a produtividade por hectare e reduzir a pegada de carbono da produção.
A transformação, porém, não acontece da mesma maneira em todas as propriedades. Regiões produtoras, características do solo, clima, relevo e estágio de desenvolvimento de cada fazenda exigem abordagens diferentes.
Por isso, o Nescafé Plan mantém no Brasil uma equipe de 35 agrônomos, que percorre as regiões produtoras e visita anualmente as fazendas participantes. Além do acompanhamento das certificações, esses profissionais prestam assistência técnica e trabalham ao lado dos cafeicultores para melhorar a eficiência das propriedades e avançar em práticas sustentáveis.
Da colheita à secagem, cada etapa interfere no café
Na Fazenda Nossa Terra, é produzido café arábica. A visita permitiu acompanhar algumas das etapas que ajudam a determinar as características do produto antes mesmo de ele deixar a propriedade.
O ciclo do café passa pela florada, formação dos grãos, maturação e colheita. Em áreas mais planas, a fazenda utiliza colheita mecanizada. Depois, os grãos seguem para as etapas de pré-secagem e secagem.
A propriedade trabalha com dois processos. Cerca de 85% do café é processado de forma natural, com a secagem do fruto, enquanto aproximadamente 15% passa pelo despolpamento.
As duas abordagens resultam em características diferentes na bebida. O café natural, processo pelo qual o Brasil é reconhecido internacionalmente, tende a apresentar mais corpo e doçura. Já o despolpado pode resultar em um perfil mais delicado e com maior percepção de acidez. Para o produtor, o processo também pode representar ganhos de eficiência no pós-colheita e agregação de valor ao produto.
Sabrina Sato vira aprendiz de Nescafé
A parceria com a Fazenda Nossa Terra também aproximou Sabrina Sato do universo da produção de café. A apresentadora passou a participar do projeto como aprendiz de Nescafé, acompanhando produtores e conhecendo de perto as diferentes etapas da cafeicultura.
A relação da família com o café, porém, começou antes dessa parceria. A mãe de Sabrina, Kika Sato, cresceu próxima à cafeicultura, já que seu pai possuía uma pequena propriedade com plantação de café. Anos depois, a família voltou a se aproximar desse universo ao adquirir a Fazenda Nossa Terra.
O contato com a Nescafé aconteceu posteriormente. A presença de Sabrina cria ainda uma conexão entre duas pontas que nem sempre aparecem juntas na comunicação do café: quem está no campo e quem encontra o produto pronto para consumo.
De Araras para mais de 60 países
Depois de acompanhar o início dessa história no campo, Marcas pelo Mundo também conheceu a fábrica da Nestlé em Araras, no interior de São Paulo, uma unidade centenária que ocupa posição relevante na operação da companhia.
É ali que outra parte da jornada ganha escala industrial.
A fábrica exporta produtos para mais de 60 países e vem recebendo investimentos e atualizações para manter sua produtividade e relevância dentro da estrutura global da Nestlé. O papel da unidade reforça a importância do Brasil não apenas como produtor de café, mas também como plataforma de produção e exportação para outros mercados.
Uma marca que vai além do café solúvel
Ao mesmo tempo em que reforça sua atuação na origem, Nescafé vem diversificando seu portfólio para acompanhar diferentes formas de consumo.
A marca, historicamente associada ao café solúvel, passou a atuar em diferentes segmentos, com cápsulas, bebidas, cappuccinos, café com leite e linhas premium. A estratégia busca atender diferentes ocasiões de consumo sem abandonar um elemento comum a todas essas categorias: a origem do café.
Nesse movimento, mostrar quem produz e como o café é cultivado passa a ter um papel que vai além da sustentabilidade. Também ajuda a aproximar uma marca global de uma cadeia essencialmente construída no campo.
Da Fazenda Nossa Terra à fábrica de Araras, acompanhar esse caminho de perto mostra o quanto existe por trás de um hábito tão simples e presente no dia a dia.
Quando o café chega à mesa, todo esse percurso já ficou para trás. Mas, naquele aroma que toma conta da cozinha e no primeiro gole do dia, está também o resultado do trabalho de muita gente, do cuidado com a terra e de uma história que começou bem longe da xícara.
* A jornalista Elisangela Peres viajou a convite da Nescafé.
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