NRF 2026: a IA assume o operacional e o varejo volta para o coração, por Mariana Tahan

NRF 2026: a IA assume o operacional e o varejo volta para o coração, por Mariana Tahan
LinkedIn
X
Facebook
Threads
WhatsApp

Quando as luzes do Javits Center se apagaram e o último painel da NRF terminou, começou o momento mais importante do evento, o silêncio. É no caminho de volta, no aeroporto e no voo, longe do barulho dos stands, que a ficha realmente cai. Em 2026, ficamos com a sensação de que a NRF deixou de ser a feira da “próxima ferramenta milagrosa” e se tornou o palco onde o varejo enterrou de vez o modelo de transação e assumiu seu lugar como infraestrutura emocional, social e econômica da vida das pessoas.

Por muitos anos, o varejo brasileiro veio a Nova York como quem consulta um oráculo, à espera do novo sistema, do algoritmo de recomendação perfeito, da tecnologia que finalmente “vai resolver tudo”. Em 2026, quem ainda veio em busca de uma ferramenta saiu olhando para o retrovisor. O tempo das ferramentas como protagonistas acabou. Agora é a vez das fundações: cultura, dados, propósito, relacionamento.

No lugar do velho varejo de transação, focado em empilhar produtos e girar o caixa, ganhou força o “comércio de ecossistema”. Michael Rubin, da Fanatics, é um exemplo. Ele não construiu um império porque vende camisa de time melhor que os outros, ele desenvolveu um ecossistema em torno da paixão esportiva. Produtos, colecionáveis, apostas, serviços financeiros, tudo orbitando a mesma chama emocional. A venda vira estatística dentro de uma relação maior. O custo de aquisição de cliente só se justifica quando há um ecossistema robusto para multiplicar o valor de vida (LTV) desse cliente. Se a marca resolve um problema isolado, ela é frágil, mas se cuida de uma paixão, ela é necessária.

Ao mesmo tempo, 2026 cravou a entrada na era do Varejo Agentic. A inteligência artificial passou a atuar, com agentes que fazem reservas, comparam, compram, resolvem chamados e montam carrinhos. Aquilo que antes exigia um humano na outra ponta pode ser delegado a fluxos de IA. A tentação é acreditar que isso, por si só, é vantagem competitiva. Não é.

Marcas com alma no varejo agentic

Nenhum case simbolizou melhor a combinação de humildade, coragem e estratégia do que a volta por cima da Abercrombie & Fitch. Para quem viveu os anos 2000, a marca é quase sinestésica, uma loja escura, cheiro forte, um “cool” excludente que virou tóxico. De queridinha aspiracional a exemplo em documentários sobre gordofobia, tudo indicava uma marca fadada ao rodapé da história.

Corta para 2026: palco principal da NRF, prêmio de “Visionária do Ano”, 11 trimestres seguidos de crescimento. Nada disso veio de um algoritmo secreto, e sim de algo raríssimo, a coragem de ouvir.

A CEO Fran Horowitz esclareceu que a transformação não nasceu de uma genialidade interna, mas de uma escuta radical externa. “A mudança não veio de dentro para fora. Veio de fora para dentro.” O exemplo que virou símbolo foi o jeans. Por anos, a marca insistiu em calças com botões porque isso era “cool” na cabeça da diretoria, enquanto o cliente pedia o óbvio: zíper. Quando finalmente deixaram o ego de lado e colocaram o zíper que todo mundo queria, as vendas explodiram. Mais do que um detalhe de produto, é uma metáfora poderosa. O varejo de 2026 não é sobre ditar o que as pessoas devem usar, é sobre organizar a infraestrutura para o que elas já decidiram ser.

Ser encontrado na era dos agentes

Enquanto o branding cuida da alma, a tecnologia está redesenhando a forma como as pessoas descobrem marcas e produtos. Um dos pontos mais contundentes da NRF 2026 foi a consolidação do GEO (Generative Engine Optimization) como nova fronteira da visibilidade. Saímos da era em que o jogo era encher páginas com palavras-chave para agradar robôs de busca.

Como descreveram Samir Desai (Abercrombie) e Neelima Sharma (Lowe’s), o cliente não digita mais termos soltos, ele descreve cenas de vida. “Quero uma lava-louças para uma família grande, tenho problema com barulho e não quero nada complexo de usar.” A IA generativa interpreta intenção, contexto e emoção, não apenas palavras-chave.

Nesse novo cenário, é preciso ser a resposta. Assistentes como ChatGPT, Gemini e agentes proprietários não estão interessados apenas em quem paga mais no clique, mas em quem oferece a solução mais confiável, consistente e contextual. Produtos descritos com profundidade, contexto de uso, metadados ricos, reviews reais, UGC, FAQs honestas, conteúdo editorial que demonstre autoridade – tudo isso vira combustível para que os LLMs reconheçam sua marca como referência. Ser encontrado passa a ser melhor (e mais difícil) do que ser buscado. O funil de descoberta se inverte, não é mais o cliente varrendo listas infinitas, é a IA decidindo quem ele vai ver primeiro.

Para o Brasil, o recado é duro e esperançoso. Precisamos, sim, acelerar a maturidade de dados, pois sem base estruturada de produto, jornada e conteúdo, seremos invisíveis para os agentes que vão mediar a descoberta do consumidor. Mas isso é só metade do trabalho. A outra metade é cultural. Não adianta investir milhões em IA se a liderança continua operando por ego, se a organização não está disposta a ouvir – como a Abercrombie teve que ouvir – e a corrigir rumo mesmo quando dói. Não adianta comprar “cérebro artificial” se o coração operacional está desconectado do cliente.

*imagem criada por IA.

Por Mariana Tahan Ralisch, Diretora de Marketing da Wake

Leia outras notícias: https://marcaspelomundo.com.br/categorias/anunciantes/

LinkedIn
X
Facebook
Threads
WhatsApp
CAOA Chery atualiza Tiggo 7 com novo visual, cabine e equipamentos

CAOA Chery atualiza Tiggo 7 com novo visual, cabine e equipamentos

A CAOA Chery atualiza o Tiggo 7 no Brasil com mudanças no design, nas dimensões, na cabine e nos equipamentos. As versões Sport e PRO passam pela renovação e se juntam ao Tiggo 7 PHEV na linha comercializada no país. Produzido em Anápolis (GO), o modelo ultrapassou 110 mil unidades

Samsung amplia linha Odyssey com monitores 6K e QD-OLED

Samsung amplia linha Odyssey com monitores 6K e QD-OLED

A Samsung amplia a linha de monitores gamer Odyssey com o Odyssey G8 6K e o Odyssey OLED G8. Os modelos seguem propostas diferentes: o primeiro permite alternar entre 6K a 165 Hz e 3K a 330 Hz, enquanto o segundo utiliza painel QD-OLED 4K. “Os novos Odyssey G8 6K

Blue Moon terá espaço próprio em “Alegría”, do Cirque du Soleil

Blue Moon terá espaço próprio em “Alegría”, do Cirque du Soleil

A Blue Moon, marca do Grupo HEINEKEN no Brasil, estará presente na temporada de “Alegría – In A New Light”, do Cirque du Soleil, em São Paulo. A ativação inclui um bar exclusivo para o público do espetáculo durante as apresentações no Parque Villa-Lobos. No espaço, a marca apresentará o

Paçoquita ganha versões Fini Minhocas Azedinhas e Speculoos

Paçoquita ganha versões Fini Minhocas Azedinhas e Speculoos

A Paçoquita vai ganhar dois novos sabores a partir de setembro. A Santa Helena Alimentos prepara uma nova edição limitada em parceria com a Fini, desta vez inspirada nas Minhocas Azedinhas, e uma versão de Speculoos, que passa a integrar permanentemente o portfólio da marca. A colaboração com a Fini

Acelerado por ecommerce.CAMP/portais Portais de alta performance com IA que aprendem a cada visita,
indexados e otimizados para SEO, GEO e LLMs, em piloto automático.