Integração será o verdadeiro diferencial das marcas até 2027

Confira o texto "Marketing B2B do futuro: o resgate do humano nas relações entre empresas", escrito por Por Mariana Tahan Ralisch.
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Há algum tempo, é comum que o marketing discuta o futuro com divergências: físico ou digital, branding ou performance, humano ou tecnologia. Mas o cenário que começa a se consolidar até 2027 aponta em outra direção. Segundo relatório da WGSN, consultoria internacional especializada em tendências de consumo, uma das mudanças mais relevantes para as marcas será justamente a integração entre canais digitais e físicos, em um contexto no qual diferentes abordagens deixam de competir e passam a coexistir de forma complementar.

Essa leitura faz sentido porque reflete uma transformação que já está em curso no comportamento do consumidor. Ele não vive mais a marca em silos. Descobre um produto nas redes sociais, pesquisa no buscador, compara em marketplaces, visita a loja física, volta ao site e finaliza a compra no canal que fizer mais sentido naquele momento. A jornada deixou de ser linear e, mais do que isso, deixou de respeitar as fronteiras que muitas empresas ainda insistem em manter entre online e offline.

Por isso, discutir integração entre canais não é apenas tratar a respeito de distribuição ou presença. É falar sobre relevância. Em um ambiente de homogeneidade crescente, no qual, segundo a WGSN, 72% dos consumidores acreditam que poucas marcas conseguem de fato se diferenciar, a coerência da experiência passa a ser um dos principais ativos de marca. O consumidor pode não lembrar de todas as campanhas que viu, mas percebe rapidamente quando mensagem, oferta, tom e experiência não conversam entre si.

Esse ponto se torna ainda mais importante em um contexto de fadiga digital. O mesmo consumidor que passa horas conectado também reduz notificações, busca momentos de desconexão e seleciona com mais rigor aquilo que merece sua atenção. Como resume uma provocação citada no estudo, especialmente no caso da Geração Z, o desafio já não é capturar atenção, mas capturar consideração. Essa mudança altera a forma como o marketing precisa operar. Não basta ampliar a presença, é necessário aparecer com contexto, consistência e utilidade.

É justamente nesse cenário que a integração entre físico e digital ganha protagonismo. Quando bem estruturada, ela amplia a presença da marca sem aumentar a sensação de saturação. A loja física deixa de ser apenas ponto de venda e passa a funcionar como mídia, experiência e extensão do universo da marca. O ambiente digital, por sua vez, deixa de ser só canal de aquisição e passa a atuar como espaço de descoberta, relacionamento, personalização e continuidade. Não se trata de replicar a mesma mensagem em todos os lugares, mas de coordenar diferentes pontos de contato para que o consumidor perceba uma marca única, independentemente do canal.

O relatório chama atenção para esse movimento ao destacar o chamado marketing ambiente, em que as mensagens se distribuem de forma integrada por diferentes meios e contextos, combinando redes sociais, conteúdo, entretenimento e experiências físicas. Na prática, significa que as marcas precisarão pensar menos em campanhas isoladas e mais em ecossistemas de presença. Uma ativação física pode ganhar escala no digital; uma narrativa nas redes pode se desdobrar em experiência sensorial; uma ação de conteúdo pode gerar tráfego, visita, interação e conversão em momentos distintos da jornada. O valor não está em cada ponto de contato separadamente, mas no encadeamento entre eles.

Essa visão também se conecta a outra tendência apontada: a valorização de experiências sensoriais e do fator humano. Em um ambiente altamente automatizado e cada vez mais parecido, experiências físicas, interativas e memoráveis passam a cumprir um papel importante na construção de vínculo emocional. Isso não representa um recuo do digital, mas um reposicionamento de sua função na jornada do cliente. O consumidor não está abandonando a tecnologia; ele está rejeitando experiências genéricas, frias e excessivamente previsíveis. O que ele procura são interações que façam sentido no contexto em que ele está.

No varejo, esse movimento é ainda mais evidente. Dados da pesquisa da Wake com a Opinion Box mostram que 61,6% dos consumidores usam mais de um canal em qualquer compra e que seis em cada dez sempre pesquisam em diferentes canais antes de decidir. Ao mesmo tempo, 49,5% já desistiram de uma compra por não encontrar o produto em um canal, mesmo sabendo que ele existia em outro. Esses números mostram que a integração deixou de ser uma ambição e passou a ser uma expectativa básica. Quando ela não existe, a fricção aparece — e a marca perde.

Para o marketing, isso traz uma implicação direta: não é mais possível construir percepção de marca dissociada da experiência real. A campanha promete conveniência, mas o estoque não conversa entre canais. A comunicação fala em personalização, mas a jornada é fragmentada. A marca investe em presença digital, mas não traduz esse posicionamento em vivência física. Em um cenário como esse, a diferenciação se perde porque a experiência contradiz a narrativa.

O futuro do marketing, portanto, não estará em escolher entre criatividade humana e tecnologia, nem entre presença digital e experiência física. Estará em integrar essas dimensões com inteligência. Tecnologia para conectar dados, canais e contextos. Criatividade para transformar essa inteligência em experiências relevantes. E uma visão de marca capaz de garantir coerência ao longo de toda a jornada.

Até 2027, as marcas que vão se destacar provavelmente não serão as que estiverem em mais canais, mas as que conseguirem construir uma presença mais fluida entre eles. Em um mercado de atenção escassa e diferenciação difícil, integrar físico e digital deixou de ser uma escolha tática. Trata-se de  uma decisão estratégica de marca.

Por Mariana Tahan Ralisch, Diretora de Marketing da Wake

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