No mês em que se celebra o Dia Internacional da Mulher, reunimos histórias de profissionais que vêm construindo trajetórias marcadas por liderança, propósito e capacidade de transformação. Em diferentes áreas e contextos, elas compartilham desafios, aprendizados e reflexões sobre carreira, tomada de decisão e o caminho para ampliar a presença feminina nos espaços de liderança.
Juliana Pileggi Suplicy, CEO da AKM e vice-presidente do comitê de ESG da AMPRO, é uma dessas profissionais. Com 29 anos de experiência no mercado, ela construiu uma trajetória sólida que reúne passagens por empresas nacionais e internacionais, além de algumas das principais agências do país.
Formada em Administração de Empresas e pós-graduada em Marketing pela University of California, UC Berkeley (EUA), Juliana liderou projetos estratégicos para marcas de diferentes segmentos e teve seu trabalho reconhecido em festivais nacionais e internacionais. Entre os destaques estão premiações como Cannes Lions, Effie Awards, Clube de Criação, Prêmio Colunistas, Popai, Live, MMA Smarties e Globes Awards. Ao longo da carreira, também integrou júris de importantes premiações do setor, como Effie Awards, AMPRO Globes e Popai.
Um desafio que te transformou
Entre os projetos mais marcantes de sua trajetória, Juliana destaca a campanha “Abra a Boca e Coma o Site”, criada para Hershey’s, que se tornou um marco para a agência e para o live marketing brasileiro.
“Pensando em comunicação, um dos desafios mais transformadores da minha trajetória foi liderar o ciclo completo da campanha ‘Abra a Boca e Coma o Site’, criada para Hershey’s. A ação acabou sendo premiada em Cannes com um Leão de Prata — até hoje o maior prêmio conquistado pela AKM e a única agência brasileira de live marketing a conquistar um Leão de Prata em Cannes com uma Ação Promocional, na categoria Uso de Plataformas Digitais.
Mas a beleza desse projeto vem muito antes da premiação. Ela começa no briefing, na construção da estratégia e no desenvolvimento de um conceito e de um storytelling capazes de transformar uma grande ideia em uma experiência real para as pessoas.
Foi um projeto complexo, ousado e cheio de desafios. E talvez o maior aprendizado tenha sido perceber que inovação real exige coragem, colaboração e muita persistência.”
Um aprendizado que você gostaria de ter ouvido antes
Ao longo da carreira, Juliana aprendeu que inovar nem sempre é confortável, e que o desconforto muitas vezes é sinal de que algo realmente novo está sendo construído.
“Um aprendizado importante é que, muitas vezes, quando estamos realmente inovando, sentimos um certo frio na barriga. Se tudo parece totalmente confortável, provavelmente não estamos indo longe o suficiente. É importante sentir o frio na barriga para saber que está inovando.
Também aprendi o quanto a cultura interna e a escuta verdadeira do time fazem diferença. As melhores ideias nascem da construção coletiva. Quando as pessoas se envolvem de corpo e alma no projeto e quando conseguimos nos colocar no lugar do consumidor, as campanhas ganham muito mais potência e significado.”
Um conselho para quem está começando
Para quem está iniciando a carreira, Juliana acredita que a ambição criativa e a dedicação fazem toda a diferença na construção de uma trajetória profissional.
“Sonhe grande. Dá o mesmo trabalho sonhar pequeno ou grande, mas o resultado e impacto é completamente diferente.
Quando você acredita em uma ideia e trabalha com dedicação, disciplina e paixão, muitas coisas que pareciam impossíveis começam a se tornar possíveis. Entre de corpo e alma no que você faz e nunca perca a curiosidade de aprender.”
Um momento em que você percebeu sua própria força
Além dos desafios profissionais, experiências pessoais também marcaram profundamente sua forma de enxergar o trabalho e a vida.
“Um momento muito marcante da minha vida aconteceu depois de um acidente de carro. Fiquei de cama por quatro meses, sem saber se voltaria a andar ou se conseguiria viver sem dor.
Foi um período muito desafiador, mas também transformador. Ali descobri uma força que eu mesma não imaginava ter. Foi um processo de reconstrução física e emocional que me ensinou muito sobre resiliência e sobre reequilibrar nossas forças e fragilidades.
Depois disso, passei a olhar para o trabalho de outra forma. Cada projeto precisa ter propósito, gerar impacto e realmente transformar algo, seja para as pessoas, para as marcas, para as causas, ou para a sociedade.”
O que mudou quando você passou a ocupar um espaço de decisão
Ao assumir posições de liderança e decisão, Juliana passou a enxergar o impacto do trabalho de forma mais ampla dentro das organizações.
“Quando passamos a ocupar espaços de decisão, a perspectiva muda completamente. As escolhas deixam de impactar apenas o nosso trabalho e passam a influenciar equipes, carreiras e culturas dentro das organizações. Isso trouxe para mim uma responsabilidade ainda maior de construir ambientes mais unidos, colaborativos, criativos e humanos. Também reforço o compromisso de abrir caminhos e incentivar mais mulheres a ocuparem posições de liderança no nosso mercado.”
