Depois de mais de duas décadas, o MotoGP voltou ao Brasil e não é apenas o ronco dos motores que marca esse retorno. Se antes o espetáculo era definido quase exclusivamente pela habilidade dos pilotos e pela engenharia das máquinas, hoje ele se expandiu para um território muito mais complexo e invisível. Um território onde dados, inteligência artificial e decisões em tempo real passaram a ser tão determinantes quanto a coragem em uma curva.
Por outro lado, durante décadas, o papel das marcas no esporte foi relativamente claro: visibilidade. Estar presente nos momentos de maior audiência, associar-se à emoção, ocupar espaço. Mas há uma mudança em curso. E, dentro desse novo cenário, algumas parcerias deixam de ser coadjuvantes para se tornarem protagonistas. É o caso da relação entre Lenovo e Ducati, que ajuda a explicar não só o presente do MotoGP, mas também o futuro dos patrocínios das marcas.
“Não é um patrocínio. É uma parceria tecnológica”, afirma Lara Rodini, diretora global de sponsorships e ativações da Lenovo. A frase carrega uma ruptura porque, na prática, a Lenovo não está apenas estampada na Ducati, ela está integrada ao funcionamento da equipe. Sua tecnologia não comunica performance. Ela viabiliza performance.
O Marcas pelo Mundo foi até o Autódromo Internacional de Goiânia Ayrton Senna para entender de perto toda a tecnologia e o que realmente mudou nesse intervalo. Mais do que acompanhar os treinos, a ideia foi mergulhar nos bastidores, conversar com executivos e engenheiros e enxergar aquilo que não aparece na transmissão.
A corrida invisível: 100 GB de dados por fim de semana
Enquanto os olhos do público acompanham ultrapassagens e curvas milimétricas, existe uma outra corrida acontecendo, a da informação. A cada fim de semana, a Ducati coleta cerca de 100 gigabytes de dados de suas seis motos no grid.
Essas informações são processadas por uma infraestrutura robusta de computação de alta performance (HPC) e inteligência artificial fornecida pela Lenovo. O objetivo não é apenas entender o que aconteceu, mas antecipar o que pode acontecer. E, principalmente, decidir mais rápido que os concorrentes.
Então, sempre que as motos retornam ao box, os mecânicos e engenheiros baixam os dados coletados durante cada volta, analisam essas informações e, quando o pacote está pronto, voltam aos pilotos para definir a estratégia para as próximas voltas, classificações ou corrida.
Inteligência artificial como extensão do engenheiro
Dentro desse universo, a IA surge como uma extensão da inteligência humana. Segundo Nicolò Mancinelli, gerente de desenvolvimento de veículos da Ducati, o papel da tecnologia é ajudar engenheiros a extrair valor de volumes massivos de dados que seriam impossíveis de analisar manualmente. Na prática, isso se traduz em aplicações que parecem saídas da ficção, mas já fazem parte do dia a dia da equipe.
Modelos de machine learning recriam sensores que não podem existir fisicamente nas motos. Sistemas antecipam falhas antes mesmo que elas aconteçam. E algoritmos analisam vídeos para identificar padrões de pilotagem, trajetórias e até o comportamento de adversários, mesmo sem acesso aos dados deles.
É a transformação do esporte em um ecossistema onde tudo pode ser medido, comparado e otimizado. Um dos impactos mais relevantes da parceria com a Lenovo está na aceleração das simulações. Processos que antes levavam horas, agora acontecem em uma fração do tempo até três vezes mais rápido.
Mais simulações significam mais possibilidades testadas. Mais testes significam decisões melhores. E decisões melhores, no fim, significam vantagem na pista.
Um novo tipo de colega de equipe
O próximo passo dessa evolução já está em desenvolvimento: um chatbot interno baseado em inteligência artificial.
A proposta é permitir que engenheiros conversem com anos de dados acumulados. Em vez de buscar manualmente relatórios técnicos, será possível perguntar:
“Quais foram os resultados dos testes em condições similares a esta?” E obter respostas instantâneas, resumidas e contextualizadas.
Mais do que uma ferramenta, trata-se de um novo tipo de interface com o conhecimento, uma espécie de “colega virtual” que acelera o raciocínio e reduz o tempo entre pergunta e decisão.
Quando performance vira narrativa
Se a tecnologia sustenta a performance, é o marketing que amplifica seu impacto. Para a Lenovo, a MotoGP funciona como uma vitrine global onde inovação não é apenas comunicada, é demonstrada, em tempo real e sob pressão. E isso redefine o papel do branding.
Com uma audiência cada vez mais jovem e conectada, não basta mais estar presente. É preciso ser relevante e, hoje, ela se constrói aproximando o público daquilo que antes era invisível.
Existe um ativo poderoso nesse contexto: a paixão dos fãs. Eles não querem apenas assistir às corridas, querem entender o que acontece por trás delas. Querem acessar os bastidores, decifrar decisões, mergulhar na lógica da performance. É aí que a tecnologia deixa de ser suporte e se torna linguagem.
Os dados, a engenharia e a inteligência artificial passam a alimentar novas formas de storytelling mais imersivas, dinâmicas e conectadas com a realidade da equipe. No fim, o que a Lenovo constrói com a Ducati vai além da pista.
É branding baseado em prova real. Em vez de prometer inovação, a marca a demonstra. Em vez de comunicar atributos, ela entrega performance.
Marcas não são mais apenas o que dizem: são o que conseguem entregar, provar e as histórias que conseguem sustentar.
* A jornalista Elisangela Peres viajou à Goiânia a convite da Lenovo Brasil.
** Crédito das fotos: Divulgação Ducati Lenovo
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