Em uma eleição na qual cada brasileiro terá de escolher dois nomes para o Senado, o Greenpeace Brasil decidiu recorrer a algo distante da linguagem tradicional da política para falar sobre o tema: um baralho.
A ONG criou o Desembaralho do Senado, iniciativa que transforma cartas, jogos e intervenções urbanas em ferramentas para explicar como funciona a escolha dos senadores e chamar a atenção para o impacto das decisões tomadas no Congresso sobre diferentes aspectos da vida da população.
A ação integra a campanha #VotaQueVale e foi idealizada e executada pela Beta Collective e pelo estúdio NAF™, com ilustrações feitas à mão pelo artista Mário Níveo.
A proposta parte de uma questão identificada pela organização: enquanto a disputa pela Presidência costuma concentrar grande parte da atenção durante as eleições gerais, o funcionamento e as atribuições do Senado ainda despertam dúvidas entre os eleitores. Segundo dados apresentados pela campanha a partir de informações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mais de 63 milhões de votos para o Senado em 2018 foram brancos, nulos ou ficaram incompletos.
Um baralho para explicar o Senado
No Desembaralho do Senado, números e símbolos das cartas são usados para apresentar informações sobre a eleição e o funcionamento da Casa.
A carta de número 2, por exemplo, lembra que, nas eleições de 2026, cada eleitor deverá escolher dois candidatos diferentes para o Senado. Já outra informação destacada pelo projeto é a duração do mandato dos senadores, de oito anos.
Neste ano, o Senado Federal renovará dois terços de suas 81 cadeiras, o equivalente a 54 vagas. Dessa forma, cada estado e o Distrito Federal elegerão dois representantes.
Além das cartas físicas, a iniciativa ganhou uma versão digital. No site desembaralhaovoto.org.br, o público pode jogar Paciência e Jogo da Memória enquanto acessa informações relacionadas ao Senado e ao processo eleitoral.
Foram produzidas mil unidades do baralho para ativações com influenciadores e ações presenciais conduzidas por voluntários do Greenpeace Brasil em diferentes estados. As ilustrações também foram levadas para lambe-lambes e mídia Digital OOH, em parceria com a Action OOH, além de espaços de mídia em regiões periféricas ativados pela Digital Favela.
Das cartas para a frente do Congresso
O conceito também saiu do tamanho tradicional de um baralho. Em Brasília, uma ação criada pela equipe do Greenpeace Brasil utilizou versões gigantes das cartas para construir um castelo de cinco metros em frente ao Congresso Nacional.
A organização relaciona a iniciativa à discussão sobre o papel do Legislativo em temas como meio ambiente, emergência climática, saúde, alimentação e qualidade de vida.
“O Desembaralho do Senado é uma ferramenta didática que mostra, na prática, como as decisões dos senadores impactam a vida das pessoas e reforça a importância de cada voto. Vamos eleger dois representantes por estado para um mandato de oito anos. O voto é a nossa principal ferramenta de transformação em defesa de todas as formas de vida”, afirma Lu Sudré, Gerente de Comunicação do Greenpeace Brasil.
Para a criação, o desafio foi encontrar uma linguagem capaz de tornar mais acessível um assunto normalmente associado à comunicação institucional.
“O Desembaralho é uma ferramenta simples para transmitir uma mensagem complexa e importante. Além de ser um elemento altamente compartilhável, a sua versatilidade rendeu conteúdos de muito alcance, um castelo de cartas gigantes e até jogo de paciência para ensinar quem já zerou a paciência com a política”, reforça Bernardo Tavares, fundador e ECD da Beta Collective.
Segundo Marcelo Monzillo, fundador do estúdio NAF™, que assina a criação em parceria com a Beta Collective, “A comunicação precisa encontrar novos meios de abordar assuntos complexos. Neste projeto, transformamos um tema cansativo em um produto e colocamos as cartas nas mãos do eleitor, tornando o conteúdo mais leve, interativo e didático”.
Por que o voto para o Senado entrou na campanha
Entre os pontos mapeados para a criação do projeto estão o distanciamento entre candidatos ao Senado e eleitores, o desconhecimento sobre as atribuições do cargo e dúvidas relacionadas à própria dinâmica da votação.
Em 2026, esse último ponto ganha relevância porque o eleitor fará seis escolhas na urna. A sequência começa com deputado federal e deputado estadual ou distrital, seguida pelos dois votos para senador, governador e presidente da República.
No caso do Senado, os dois votos devem ser destinados a candidatos diferentes. Se o eleitor repetir o mesmo nome nas duas vagas, o segundo voto será considerado nulo.
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