A cidade de São Paulo ganha, a partir de 11 de maio, um novo endereço voltado à democratização da leitura e ao acesso à cultura. A Fundação Dorina Nowill para Cegos inaugura a Biblioteca Inclusiva Regina Caldeira, instalada na sede da instituição, na Vila Clementino, com estrutura totalmente acessível e foco na inclusão de pessoas com deficiência visual.
O espaço nasce como parte das celebrações dos 80 anos da Fundação Dorina e amplia o trabalho histórico da organização na promoção do acesso à informação. Mais do que um ambiente para empréstimo de livros, a biblioteca foi concebida como um centro de convivência cultural, aberto a diferentes públicos e equipado com tecnologias assistivas que favorecem autonomia e acessibilidade.
Entre os recursos disponíveis estão linha braille para leitura digital e impressora braille para produções de curto alcance. O funcionamento será de segunda a sexta-feira, das 8h30 às 16h30.
O acervo reúne mais de 5.700 títulos em diferentes formatos, incluindo braille, audiolivros e tinta ampliada. Obras contemporâneas e clássicos da literatura dividem espaço com livros tradicionais voltados a familiares, educadores e acompanhantes. Entre os destaques estão Torto Arado, de Itamar Vieira Junior, e Olhos D’Água, de Conceição Evaristo.
A programação também pretende estimular o encontro entre leitores e ampliar o repertório cultural dos visitantes. Estão previstos encontros literários, oficinas criativas, jogos adaptados, cineclube e clube de leitura, em atividades que acontecem ao longo da semana e mensalmente.
O nome da biblioteca presta homenagem à trajetória de Regina Caldeira, colaboradora que construiu sua história dentro da Fundação. Ela chegou à instituição ainda criança, aos sete anos, após perder a visão por conta de um glaucoma congênito. Foi ali que aprendeu braille e encontrou na educação o caminho para sua formação profissional.
Em 1975, Regina começou a trabalhar na Fundação como telefonista. Mais tarde, formada em Letras, passou a atuar ao lado de Dorina de Gouvêa Nowill e, desde 1987, dedica-se à produção e revisão de livros acessíveis. Atualmente, coordena a área de Revisão Braille da instituição.
Apaixonada pela leitura, Regina resume o significado do novo espaço ao afirmar que “no silêncio das bibliotecas aprendemos muito com todas as vozes que estão ali falando conosco”.
Para Alexandre Munck, Superintendente Executivo da Fundação Dorina Nowill para Cegos, a inauguração simboliza um novo capítulo na atuação da entidade. “A inauguração é um marco que ocorre em um momento simbólico de celebração dos 80 anos da Fundação Dorina. A Biblioteca Inclusiva Regina Caldeira é mais do que um novo ambiente físico, ela carrega afetos e reafirma a missão institucional de ampliar o acesso à literatura e à informação, promovendo a plena participação social das pessoas com deficiência visual”, afirma.
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