O “Cemitério de Mulheres” que provocou repercussão nas redes sociais não existe. A iniciativa fazia parte de uma campanha de utilidade pública do Governo de Minas Gerais, em parceria com a Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), para chamar a atenção para a violência doméstica e o feminicídio.
A ação começou simulando a existência de um espaço funerário exclusivo para mulheres, apresentado como um lugar onde elas poderiam “encontrar a paz”. A estratégia provocou reações nas redes sociais e ganhou repercussão com nomes como Viviane Araújo, Érika Januza, Rafael Zulu e Cíntia Chagas.
Na etapa seguinte, a campanha revelou que o cemitério era fictício e passou a direcionar a comunicação para o reconhecimento de diferentes formas de violência e para os caminhos disponíveis para buscar proteção.
A iniciativa foi criada pela Filadélfia e chega em um cenário de crescimento dos registros de feminicídio no país. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), o Brasil registrou 1.568 vítimas de feminicídio em 2025, alta de 4,7% em relação a 2024. Na comparação com 2021, o crescimento foi de 14,5%.
Campanha aborda diferentes formas de violência
Depois da revelação do “Cemitério de Mulheres”, a comunicação passa a abordar situações que podem estar presentes em relacionamentos abusivos e diferentes manifestações da violência contra a mulher, incluindo violência psicológica, financeira, moral, sexual e digital.
“A comunicação é mais uma ferramenta importante no combate ao feminicídio. Para buscar ajuda e denunciar, a mulher precisa reconhecer a violência. Queremos transformar o incômodo que a campanha trouxe em informação que salva vidas”, diz Cássia Ximenes, Secretária de Comunicação do Governo de Minas Gerais.
Carol Penido, Diretora Executiva de Criação da Filadélfia, comenta: “hoje em dia a competição pela atenção do público é enorme. Precisávamos de uma campanha que não passasse despercebida, e que ao mesmo tempo orientasse as mulheres a reconhecer o ciclo da violência e diminuir os índices de feminicídio”.
Para a Major Débora Santos Perpétuo, Chefe da Divisão de Prevenção à Violência Doméstica da PMMG, ações de comunicação também podem contribuir para que mulheres reconheçam situações de violência e conheçam alternativas de proteção.
“Campanhas que impactam de verdade despertam a reação do medo de chegar a um caminho sem volta. As mulheres precisam acreditar que há solução. Nosso papel é mostrar que o ciclo começa de forma sutil, com desrespeito e privação para gerar dependência, mas que o Estado oferece alternativas reais para garantir a segurança delas”, pontua.
Campanha também direciona para serviços de proteção
Além de chamar a atenção para os sinais de violência, a campanha apresenta serviços da Polícia Militar de Minas Gerais voltados ao atendimento e à proteção das mulheres.
Entre eles está a Cabine Rosa, serviço especializado dentro do atendimento de emergência pelo 190, com policiais militares femininas capacitadas para escuta qualificada, acolhimento, triagem das chamadas e adoção das providências operacionais necessárias.
A comunicação também destaca a atuação policial voltada ao acompanhamento e à proteção de mulheres em situação de violência, incluindo visitas preventivas e fiscalização de medidas protetivas de urgência.
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