Pesquisa da ESPM Rio mostra as mudanças nos hábitos de consumo durante isolamento

ESPM - pesquisa comportamento Imagem de Gerd Altmann por Pixabay
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Para entender os sentimentos e as expectativas das pessoas em relação ao isolamento social e à pandemia de covid-19, a ESPM Rio realizou uma pesquisa quantitativa online, entre os dias 28 de abril e 1º de maio, com 300 participantes, no Rio de Janeiro (a maior parte da amostra, 82%), em São Paulo e em Brasília. “O estudo mostrou que o isolamento social transferiu o consumo da rua para casa e a desaceleração do consumo gerou um nível de consciência maior”, diz Karine Karam, pesquisadora do think tank cRio ESPM, plataforma responsável pelo estudo. “O comportamento do consumidor está mais racional, alterando suas percepções sobre marcas, pessoas, sentimentos.”

A racionalidade citada por Karine é evidenciada quando o consumidor reverencia empresas que desempenham um papel cada vez mais presente nas questões que envolvem a sociedade. O estudo mostrou que marcas com essa atitude são lembradas de forma positiva. A primeira a ser destacada nesse perfil pelos entrevistados foi Magalu. A empresa, uma das maiores plataformas de varejo do país, anunciou medidas para reduzir os impactos causados pela covid-19, preservando funcionários, clientes e a sustentabilidade dos negócios. Na contramão, a marca mais lembrada negativamente, foi a rede Madero, de hambúrgueres. No início da pandemia, seu fundador, Júnior Dursk, afirmou em um vídeo que a economia não poderia parar, ainda que mortes ocorressem. A influenciadora Gabriela Pugliesi, que recentemente teve seus contratos publicitários cancelados após quebrar a quarentena, também foi citada por alguns entrevistados como marca negativa.

O relaxamento do isolamento social, que tem sido registrado em algumas capitais nos últimos dias, não reflete a atitude da maioria dos que participaram do estudo. 55,6% dos entrevistados disseram só sair de casa quando é necessário ir ao supermercado. E 22,5% afirmaram não sair para nada.

O confinamento, porém, já é refletido no aspecto emocional dos entrevistados. As sensações mais citadas pelas pessoas ouvidas na pesquisa do cRio foram ansiedade, angústia e preocupação.

Efeitos no Consumo

Material para escritório e artigos de limpeza são os produtos mais consumidos no período de isolamento, segundo os entrevistados. O resultado é consequência direta da adoção do home office por muitos profissionais brasileiros. Compras online foram realizadas pelo menos uma vez por 45% dos entrevistados durante o isolamento. E, desse total, 70% compraram produtos para melhorar o conforto da casa — com destaque para máquinas de lavar louça e itens relacionados ao trabalho ou estudo, como fones de ouvidos, teclados e impressoras. Sete em cada dez entrevistados estão preocupados com a qualidade dos produtos de limpeza. Além disso, arrumar a casa está entre as atividades mais frequentes nesse período, juntamente com ver séries e filmes, trabalhar e estudar.

O que mais faz falta
De que as pessoas mais estão sentindo falta durante a quarentena? Opções relacionadas ao convívio social foram as mais escolhidas. Ver os amigos foi mencionado por 76% dos entrevistados, visitar parentes por 65% e frequentar bares e restaurantes por 60%.
Difícil prever como será a sociedade pós-covid. Mas, por ora, as pessoas afirmam que muitos hábitos de consumo vão mudar — 43% apontaram que passarão a comprar menos e 42% acreditam que vão economizar mais daqui para a frente. Outros comportamentos assinalados foram: ficar mais tempo com a família, cuidar da saúde e ter uma vida mais simples.

Imagem de Gerd Altmann por Pixabay
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